Já se sabe que este é tempo de alguma ponderação, planos e alguns desejos que pedimos ao ano novo na esperança de nos dar menos trabalho do que se tivéssemos que lutar de verdade.
Tive um óptimo ano, cheio de sensações novas. A minha reserva de magia e sonhos felizes está bem recheada e vou poder lá ir buscar forças muitas vezes. Quero e vou corrigir alguns erros, o que estiver ao meu alcance, não para que fique "limpa", mas para dar lugar a novos ciclos.
Não gosto da obrigação que temos de nos divertir na passagem de ano, lido mal com essa pressão e todos os meus planos para essa altura costumam sair frustrados. E, como detesto falhar, prefiro não fazer planos nenhuns. Além disso, adoro ser do contra, então nesta passagem de ano comi uvas (que é a tradição em Espanha, por acaso) mas não sei se comi as doze, comi as que me apeteceu. Não vesti a cuequinha azul, dei-me ao trabalho de ir comprar umas, mas com estrelinhas douradas. E, para ser ainda mais do contra, diverti-me. E muito.
Até posso dizer, sem nenhuma pretensão, que suscitei uma paixoneta. Mesmo tendo-o escorraçado e enchotado mil vezes de perto de mim, o gajo não me largava: um chiuaua chamado "xiró" (branco em japonês ou chinês que, por estranho que vos pareça, não se soletrar) que levei o tempo todo a baptizar: "micha"; "muchi muchi"; etc. "Histérico" também foi usado, mas não fui eu que baptizei.
Acho que a melhor frase da noite foi: "tenho uma amiga que meteu uma banda drástica no estômago para emagrecer". Não vou dizer a autora, seria desnecessário.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
De cortar o coração
Uma senhora, que podia ser a minha avó. De muletas, a sorrir agradecida pelo momento raro de atenção que lhe foi concedido. Dois minutos, se tanto, de conversa de circunstância.
Os olhinhos húmidos a explicar que talvez conseguisse descer a escada íngreme porque não queria deixar as outras pessoas à espera. Esta generosidade que desarma por ser a de todos os dias e não da que compramos na corrida das datas convencionais.
Eu a dizer-lhe que não, não era preciso, que esperávamos que a viessem buscar. Com muito gosto.
A outra a correr disparada, na pressa de ganhar dois minutos do tempo precioso dela, em voz alta: " a senhora não consegue descer as escadas?! É que assim está toda a gente à espera!"
Disse logo que sim e, com um esforço que teve tanto de doloroso como de desnecessário, desceu devagarinho e entrou no autocarro sozinha, porque os filhos também não esperaram e sairam primeiro.
Há dias em que morro um bocadinho.
Os olhinhos húmidos a explicar que talvez conseguisse descer a escada íngreme porque não queria deixar as outras pessoas à espera. Esta generosidade que desarma por ser a de todos os dias e não da que compramos na corrida das datas convencionais.
Eu a dizer-lhe que não, não era preciso, que esperávamos que a viessem buscar. Com muito gosto.
A outra a correr disparada, na pressa de ganhar dois minutos do tempo precioso dela, em voz alta: " a senhora não consegue descer as escadas?! É que assim está toda a gente à espera!"
Disse logo que sim e, com um esforço que teve tanto de doloroso como de desnecessário, desceu devagarinho e entrou no autocarro sozinha, porque os filhos também não esperaram e sairam primeiro.
Há dias em que morro um bocadinho.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Vergonhas
É mais que sabido que sou uma nódoa na cozinha.
Na praça às compras ou em qualquer mercearia sou uma anedota, sobretudo se disser respeito a legumes. Já tive a fase em que, por orgulho, não perguntava o que eram as coisas e trouxe para casa uma couve lombardo quando queria uma alface.
Depois experimentei a técnica de usar o meu melhor sorriso para pedir "um quilo de beterraba, por favor" por não saber bem o aspecto das gajas com casca, ao que a a dona da banca de legumes me fintou com a resposta: "tome lá o saco e escolha as que quiser".
Agora devo estar na fase em que tenho a mania que sei, tal a segurança com que apontei para umas verduras e disse: "dê-me um raminho de coentros, por favor" ao que me respondem: "isso é agrião, menina."
E ainda nem entrei ainda no admirável mundo dos legumes esquisitos como as courgetes e outros que tal.
Adivinha-se o pior.
Na praça às compras ou em qualquer mercearia sou uma anedota, sobretudo se disser respeito a legumes. Já tive a fase em que, por orgulho, não perguntava o que eram as coisas e trouxe para casa uma couve lombardo quando queria uma alface.
Depois experimentei a técnica de usar o meu melhor sorriso para pedir "um quilo de beterraba, por favor" por não saber bem o aspecto das gajas com casca, ao que a a dona da banca de legumes me fintou com a resposta: "tome lá o saco e escolha as que quiser".
Agora devo estar na fase em que tenho a mania que sei, tal a segurança com que apontei para umas verduras e disse: "dê-me um raminho de coentros, por favor" ao que me respondem: "isso é agrião, menina."
E ainda nem entrei ainda no admirável mundo dos legumes esquisitos como as courgetes e outros que tal.
Adivinha-se o pior.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Coisas chatas em viver sozinha
1-Estar enrolada em mantas no puff a ver filmes e preocupada com a couve-flor que está a apodrecer no frigorífico.
2-Ter que comprar uma cena eléctrica para aquecer a cama que a minha mãe, sempre atenta, descobriu.
Se me lembrar de mais alguma, voltarei.
Ah, ok, há aquela que conto muito em forma de anedota que é fazer um dói-dói, dizer "ai!" e ninguém vir a correr dar beijinhos, mas admitir e escrever isso seria muito mimado da minha parte.
2-Ter que comprar uma cena eléctrica para aquecer a cama que a minha mãe, sempre atenta, descobriu.
Se me lembrar de mais alguma, voltarei.
Ah, ok, há aquela que conto muito em forma de anedota que é fazer um dói-dói, dizer "ai!" e ninguém vir a correr dar beijinhos, mas admitir e escrever isso seria muito mimado da minha parte.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Perdoem-me a fanfarronice
Mas há dias em que sinto que tenho o melhor emprego do mundo.
Este é um deles.
Este é um deles.
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Mais um potencial problema na comida
Um dos problemas de resistir à TV Cabo é dar de caras tantas vezes com os programas da manhã e da tarde onde meia dúzia de caras conhecidas (ou tentativas de ascendentes a) e outras nem tanto divagam sobre os mais variados assuntos e coisas nem nem à categoria de assunto podem almejar. Sim, há sempre o alternativo canal dois, mas hoje não estava com vontade de aprender o abecedário com aquela versão moderna da Rua Sésamo que tem outro nome que agora não me ocorre.
Num desses programas deparei-me com um senhor brasileiro que tem um livro onde aconselha vários alimentos para ajudar a tratar duzentas e cinquenta doenças. Isto significa o quê? Que qualquer dia alguém se lembra de pedir receita médica quando for comprar laranjas ou couve roxa, que parece que ajuda a aliviar a dor de cabeça. Ou seja, não deve faltar muito para que uma ida à mercearia e escolher frutas e legumes seja considerada auto-medicação. Ah sim, parece que o senhor aconselha sempre frutos e legumes, não me pareceu o género de ter lá no livro uma valente caracolada para curar... sei lá, conjuntivite? Mas tinha lógica: não há registos de caracóis com problemas de olhos ramelentos. Isso seria nojento. Já não serviriam para curar problemas de baba ou ranhoca, por exemplo.
Num desses programas deparei-me com um senhor brasileiro que tem um livro onde aconselha vários alimentos para ajudar a tratar duzentas e cinquenta doenças. Isto significa o quê? Que qualquer dia alguém se lembra de pedir receita médica quando for comprar laranjas ou couve roxa, que parece que ajuda a aliviar a dor de cabeça. Ou seja, não deve faltar muito para que uma ida à mercearia e escolher frutas e legumes seja considerada auto-medicação. Ah sim, parece que o senhor aconselha sempre frutos e legumes, não me pareceu o género de ter lá no livro uma valente caracolada para curar... sei lá, conjuntivite? Mas tinha lógica: não há registos de caracóis com problemas de olhos ramelentos. Isso seria nojento. Já não serviriam para curar problemas de baba ou ranhoca, por exemplo.
sábado, 1 de dezembro de 2007
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
olha lá
Com que direito é que me desapareces durante um dia inteiro?
Preciso - exijo- atenção. Constante e ininterrupta.
Droga.
Preciso - exijo- atenção. Constante e ininterrupta.
Droga.
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
crescida

Tenho muitas saudades de ti pequenina. Eras tão gira. A desenhar nos cantinhos da casa... A mãe: "mas que rabiscos são estes??"
A tua carinha marota de dois anos:"escadotes". Claro, como não?
A cantar aquela canção de Natal: "já nasceu o deus me livre, para o nosso beeeem" e tudo a chorar a rir.
A dizer: "um camito" (um bocadinho).
Vais deixando de ser a "pecanhicha".
A luta tornou-se de repente desigual, injusta tantas vezes, incompreensível na maioria. Crescer dói. A responsabilidade pesa. Aquilo que sempre desejaste e idealizaste para a tua idade adulta e independência afigura-se numa caminhada longa e cheia de espinhos. Mas é aí que também sentes o sabor das conquistas, do que te saiu do corpo e que valeu a pena. Porque vale sempre a pena desde que dês o teu melhor. Seja no que for. Essa é das poucas, senão a única, verdade que te posso garantir sem sombra de dúvidas.
Beijo irmã
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