terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

De todas as coisas significativas que perdi durante a mudança o que mais me está a intrigar são os talheres.
Como é que eu fui perder os talheres? 
Pode ser que ainda apareçam no meio dos livros, cds, produtos de casa de banho ou toalhas que são as únicas coisas que me falta arrumar. Aí deixa de ser intrigante para ser perturbador. Como é que a minha mente retorcida foi arranjar lógica para juntar talheres e gel de banho?
Vamos esperar pra ver.

Procuram-se Batman e Mickey

Todos os dias acordo num cenário tranquilo e idílico, campestre, em que se ouvem os passarinhos. Era isto mesmo que eu queria e sonhava e tudo correria bem se não fossem uns berros diários sempre por volta desta hora logo a seguir ao turbilhão do camião do lixo. Vou tentar recriar os quinze minutos de ruído matinal:

(o camião) bruáááá, braaaam, bruAAAAAAAm, BRUAAAAAAAM, STRAPAM PUM.

Alguns instantes depois:
-BAAAAAAAATMAN!!!!!
-MIIIIIIIIIIICKEY!!
Os gatos da minha vizinha. 
Eu acho que ela só os deixa andar à solta para ter motivos para berrar a manhã toda. É que, vamos lá ver, são gatos e só vêm quando e SE lhes apetecer. Eu vejo-os da janela, sempre do lado oposto onde ela anda à procura, tranquilos a esfregarem-se nas ervas ou a apanhar banhos de sol.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Ao meu lado mora uma velhinha já dos seus 70 anos.
Todos os dias a esta hora sai um outro velhinho da casa dela que acho que também é meu vizinho de cima. Não falha, parece um ritual. Sempre à mesma hora.
Pensar em cenas ilícitas entre velhinhos tem o seu quê de hilariante. 

Pessoas com cães

Acham gracinha a que eles roam algo insignificante como uma caixa de cartão e espalhem os pedaços desfeitos e ainda cheios de baba canina pela casa fora. Sorriem num misto de orgulho e pieguice total quando acordam de manhã com a respiração deles na cara, senão já com duas patas em cima dos lençóis lavados largando pelo e baba mais uma vez. Isto acontece ao cão menos baboso e mais escovado, nem vale a pena argumentar.
Programam a vida toda consoante os xixis da criatura. O momento alto do dia dos donos dos cães é durante o passeio quando os gajos lá fazem o favor de cagar.
E chamam-lhes o melhor amigo só porque têm uma festa pegada de saltos, olhos arregalados e brilhantes, língua de fora e outra vez mais saltos sempre que entram em casa nem que tenham saído só por dois segundos. 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Ora bem, pessoas:

Resolvi recomeçar a escrever no dia em que tomei o primeiro banho de água quente nesta casa. Na verdade isso foi ontem, mas eu já não ligo a preciosismos. Não depois do vidraceiro esquizofrénico me ter levado duas semanas a colocar dois vidros e um espelho, que eram pra ser dois, mas ele partiu o maior apenas ao tirá-lo da carrinha. Não depois de ter entrado na minha casa e ter dado de caras com o brasileiro ajudante do esquizofrénico encostadíssimo às minhas paredes brancas imaculadas. É que o vidraceiro, não tendo mais ninguém, pediu ajuda a este senhor, que é barbeiro. Não depois de ter dito ao dito senhor que não podia ficar assim com o duche porque as duas portas não só não eram coincidentes como estavam tão tortas, mas tão tortas que a minha casa de banho parecia um quadro surrealista ou saída de um pesadelo qualquer. E ele, tremendo e gordo, a suar, leva as mãos à cabeça e exclama: isto é demais, vou-me embora. Estava lá há 5 minutos.
Tudo isto foram peanuts perto do problema de fuga total de gás criada por alguém irresponsável que me fez ter que desmontar a cozinha toda.
E agora encerro este capítulo porque já não há pachorra. 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Tenho andado tão irritada, que não me apetece escrever.
Depois conto-vos tudo: o vidraceiro esquizofrénico e seu filho ex-presidiário; as tomadas e interruptores em vias de extinção; as limpezas obcessivo-compulsivas da minha mãe sempre na véspera de mais lixo a ser feito; a saga da cozinha... e espero que não muito mais.
 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Adoro fazer algumas coisas de homem

Trocar de pneus, não.
Hoje fui a um armazém buscar os materiais que me faltavam porque estou demasiado irrequieta* para esperar que mos tragam. Fiz logo amizade com o senhor responsável que até fez questão de me levar numa visita guiada pelo - ainda em montagem -  showroom onde têm vários ambientes em exposição. Foi uma animação: toda a gente dentro daquele armazém estava disponível para me ir buscar as coisas e arrumar no meu muito feminino e por isso atafulhado de inutilidades porta bagagens. Se bem que achei um bocadinho de exagero cinco pessoas para quatro caixas de azulejos. 
Bem falta me fizeram já deste lado, de volta à realidade, quando tive que alancar com todas do carro pra fora, elevador acima e casa adentro.

*eufemismo para absolutamente histérica e incapaz de estar parada por mais de dez minutos.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Family Overdose

Onde foste hoje à tarde?
Vais e voltas, ou ficas lá?
Jantas? Almoças?
Tens tudo preparado pra amanhã?
A que horas vais?
E amanhã, chegas a que horas?
Os azulejos já chegaram?
E quando vem o frigorífico?
E a pedra?
Vens tarde?

Três dias disto e já só rosno.
E quando cada um pergunta o mesmo só que em alturas separadas? 
Sim, claro que além de tudo tenho um problema com perguntas. 

Ah, contextualizando: as obras ainda não acabaram e estou de estadia em casa dos meus pais.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Primeiro post a partir da casa nova

tive o prazer de conseguir que algo corresse bem e tal como planeei: já tenho net.
tudo o resto: uma selva.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Este banho quente que preparo tem de me saber a:
beijinhos de mimo e de força para continuar;
ombro que me consola;
abraço protector.


sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Mas qual é a graça?!

Ok. Eu admito que deve ser hilariante ver-me saltar com o susto porque vou de música aos berros para não ouvir as bocas e as buzinas normais de carros ligeiros. Mas assim tenho dificuldade em usar os meus momentos de corrida para descontracção já que tenho vontade de entrar em sprint atrás do camião TIR e do camionista que buzinou: UUUÓÓÓÓÓÓÓÓÓ!!! para lhe espetar os dedos nos olhos até lhos arrancar e obrigá-lo a comê-los em seguida, enquanto lhe também lhe arranco as unhas com um alicate (ou outra puta de ferramenta qualquer que seja indicada para o efeito) e emito gargalhadas que, de tão estridentes, lhe furam os tímpanos.

Vamos lá meus senhores, contribuam para a minha serenidade se não querem despertar a pessoa agressiva que há em mim.
"este puxador está torto"
"torto?!" - afastando-se e torcendo o pescoço para ver na perspectiva em que está direito
"sim, dois milímetros"
"pois, mas quando eu o meti tava direito". 

Prevê-se um grande futuro já que os objectos inanimados da minha casa têm vida própria mesmo quando aparafusados. 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Imaginem a cena:

Eu
sozinha no Ikea
com pressa

Fui lá só com intenção de comprar o móvel do forno que me faltou na cozinha por motivos de baralhação própria da minha inexperiente pessoa que agora não vem ao caso. Comecei a pensar e decidi encomendar logo também a mobília de quarto em vez de entrar na odisseia de pedir a uma amiga, que pedisse a um amigo uma carrinha e pedir ao meu pai para conduzir. Não.
E lá vou eu toda decidida à secção respectiva fazer a encomenda muito rápida até porque já tinha escolhido tudo pela net "e assim até aproveito o desconto de quarta-feira" penso eu toda contente. 

1ª surpresa: afinal não tinha tudo tão bem pensado: faltava escolher o estrado da cama.

2ª supresa: tinha que ir buscar toda a tralha que estava a escolher ao self service.

3ª surpresa: depois de, trinfante, conseguir carregar sozinha dez caixas enormes e pesadonas descubro ao chegar à caixa que, as primeiras caixonas de todas, logo as que estavam em baixo, estavam erradas. Engoli o orgulho e pedi ajuda a um colaborador mega simpático. Descarrega tudo, repõe as correctas e volta a carregar.

4ª supresa: não era quarta-feira. Era terça e não houve desconto pra ninguém.

5ª surpresa: comprei QUATRO estrados para a cama em vez de dois. Após uma hora à espera de marcar entrega, mais trinta minutos para fazer a devolução dos estrados.

Valeu pelo que suei porque continuando a engolir orgulho desta maneira qualquer dia já rebolo.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Estou na dúvida

Em classificar de desleixo, distracção, esquecimento, falta de hábito, esquizofrenia ou simples estupidez o facto de me ter esquecido do meu casaco favorito estendido no terraço e sujeito sei lá que tipo de intempéries porque não me lembro sequer de quando é que o lavei. O certo é que ele ficou desfigurado e tão teso, mas tão teso que estou a pensar usá-lo como estátua na minha casa nova.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

coisas estupidas que me acontecem III

Ficar fechada fora de casa de cesto da roupa na mão e apenas de leggings, botas e mini-shirt. Ter que ir ao café nesta figura e vencer o orgulho telefonando aos pais a pedir ajuda quando AINDA ONTEM critiquei a minha mãe porque se esquece sempre da chave de casa.

acerca da menina