quinta-feira, 15 de maio de 2008

Despertares




Ora portanto.
Estou na minha caminha a começar a adormecer e começo a ouvir uns latidos e uivos mesmo aqui ao pé. Viro-me para o outro lado até porque não é todos os dias que tenho o prazer de dormir nesta caminha tão fofa e feita por mim, nos meus lençóis com o cheirinho do meu detergente, etc.
Mesmo concentrada em todos estes pequenos prazeres, os uivos da criatura entram-se-me pelos tímpanos dentro. E a história repete-se já há duas noites. Na primeira foi uma boa surpresa porque estava afinal só há 36 horas sem dormir e assim pude acumular mais umas quantas.
Por algum motivo que me ultrapassa prenderam um cão abandonado* numa espécie de terreno pertencente a pessoa incógnita mesmo em baixo da minha casa. E a criatura, contente que ficou, está num despautério todo o dia. Já não bastava acordar com a outra a berrar pelo BAAAAAAAAAtman, agora isto.
E na minha cama começo a planear que no dia seguinte vou comprar uma pressão de ar e encher o rabo do cão de chumbo, assim como a tromba de quem lá o trancou. Acordo, vejo o ar infeliz da criatura e perco a coragem.
E foi assim que hoje acordei a mistura explosiva do cão a chorar, a vizinha a berrar e... a campainha a tocar. Insistentemente às 9:30 da manhã.
Não foi meu ar desgrenhado que assustou o senhor. Mas sim a expressão assassina e o grito O QUE É?! de olhos esbugalhados. 
- Peço desculpa minha senhora, mas... _diz ele recuando dois passos.
- Sabe que horas são?! Qual é a urgência?! _ avançando três passos e de mão na cintura.
- É um questionário que...
- Olhe... desapareça, SAIA JÁ DA MINHA FRENTE, esqueça que esta campainha existe e LIVRE-SE de me deixar alguma merda de questionário na caixa de correio!

E foi assim que comecei o meu dia muito mais leve.

*o Smart foi abandonado pelo dono do bar "PÉ NU" que, ao ser confrontado com o assunto, responde: se ele não volta é porque não quer. 
Apareceu aqui magro e triste e foi adoptado pelas vizinhas que se compadeceram dele. Foram feitas inúmeras tentativas de o devolver, mas é sempre repelido pelo dono. O senhor está muito mais entretido com a Pitt Bull que entretanto adquiriu. 
O Smart tem andado sempre à solta na rua, mas imagino que agora esteja preso porque gosta de correr atrás dos ciclistas e esses não acham assim tanta graça.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

saber cair

Tenho um novo desporto giro: fazer btt e, nas descidas vertiginosas dos montinhos de areia destes matagais aqui perto de casa, matar mosquitos com a testa. 
Entretanto caí, mas já não com aquele espalhafato de joelhos esfolados, dedos torcidos, boca no chão. Caí com elegância.
Assim nos faz a experiência: não é que deixemos de cair, mas aprendemos a não nos magoar tanto. 
É o que me parece, pelo menos para já.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Estou a pensar em mudar de ramo de actividade

Assim foram os padrões inovadores que criei hoje na minha roupa após uma eficiente centrifugação na máquina de lavar.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

a prazo

Existe todo um departamento na minha empresa encarregue de planear as nossas vidinhas. Na maravilhosa era das tecnologias esse departamento tem ao seu dispôr um programa informático que faz o trabalho por eles. Ou seja, não são realmente seres humanos que decidem se este mês eu vou ver mais ou menos os meus amigos e familiares com profissões convencionais de dias livres ao fim de semana ou se, pelo contrário, tenho os fins de semana para a ramboiada mas nada de consultas médicas nem idas ao banco no mês corrente. O factor humano serve em teoria para garantir um conceito vago e distante que creio chamar-se equidade mas estas pessoas só têm 31 dias ou apenas uns escassos 30, nos meses mais difíceis, para fazer o trabalho e parece que é muito extenuante atender a todas as cunhas, pedidos, exigências, chantagens, simples antipatias ou conveniências e mesmo assim conseguir que a coisa seja equilibrada para todos.
E todos os meses, ao dia 15, começamos nós frenéticos na internet a ver se já saíram as nossas vidas... ou planeamentos, ou escalas como lhe queiram chamar. Claro que nunca sai a dia 15. Isso seria muita antecedência para podermos confirmar presença no casamento de que somos madrinhas (ou padrinhos) ou comprar bilhetes para aquele concerto que adorávamos ir. 
É por isto que este é o departamento mais odiado.
E ainda porque no dia em que sai o famigerado planeamento odiamo-los ainda mais. O concerto já esgotou, a criança já tem outra madrinha ou deram-te a folga para o teu aniversário, mas no dia seguinte entras às 3h da manhã.
No fundo, ao dia 15 já estamos sem nada para nos queixarmos e precisamos das escalas. É a emoção que nos falta.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Hoje foi o dia em que um estranho me ofereceu uma rosa vermelha.
Apesar da minha cara trombuda quando me disse: Boa Tarde.

sábado, 5 de abril de 2008

Put a crim.

Chego a casa de madrugada e debato-me com a importante, senão mesmo essencial, questão de que creme de cara usar? Vou dormir e por isso uso o creme de noite ou é de manhã (na verdade é de madrugada e está noite cerrada, só para apimentar ainda mais este debate) e uso o creme de dia? Uma grande dificuldade que me leva até a ponderar não lavar a cara de todo.
Esta é uma luta recente desde que entrei na perfumaria e a mulher olhou para mim como se fosse alguma sobrevivente do Sahara, assim era o aspecto da minha cara. Aconselhou-me toda uma vasta gama de cremes - Oitenta e quatro euros estes dois frasquinhos?? e máscaras - Esqueça, não tenho paciência! e também devia fazer umas limpezas de pele de vez em quando - também não tenho paciência! 
Para piorar a situação, e quando desgraçada já olhava para fora da loja à procura da minha nave, decide dar-me umas amostras de outros cremes que ela diz que também tenho que usar por uma ordem qualquer que eu esqueci na hora, apesar de a ter feito repetir umas três vezes. Estive quase para escrever, mas entretanto vi que a minha colecção de cremes tinha uma linda caixa lilás que dizia "não sei quê das primeiras rugas" como se isso fosse uma coisa gira ou até amorosa. 
Oitenta e quatro euros, uma trabalheira para lavar a cara e uma caixinha lilás para me dizerem que começou o declínio.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Cumplicidade

Ter tapete de entrada de casa igual sem ter combinado.

terça-feira, 25 de março de 2008

Traje Oficial do Gringo no Brasil

Eles: t-shirt larga e comprida o suficiente para deixar de fora o que resta de uma tanga de lycra esgaçada. Não é toda a tanga que aparece. Apenas a parte em que o pénis flácido e descaído não se conseguiu esconder e badala alegremente ao ritmo da caminhada. Eles não notam porque a barriga é tão grande que não os deixa ver e as mulheres também não lhes dizem porque estão demasiado ocupadas a entalar suas abundantes formas europeias nos vestidinhos justos e minúsculos de croché, ou túnicas bordadas numa versão mais moderna e actual. E andam nesta figura para todo o lado, praia, piscina, restaurante do hotel, o que seja. 
Esqueçam lá a meia branca na sandália. 

terça-feira, 18 de março de 2008

letargia e cocó

a minha vida resume-se a isto nestes dias.

sexta-feira, 14 de março de 2008

eu vou, eu vou

Ao Rio
E do que tenho mais saudades?
Disto:


 Além das pessoas, do cheiro, da festa.

terça-feira, 11 de março de 2008

"haha, está aqui a chover torrencialmente, mas não me interessa porque daqui a 8 horas estou a levar com trinta graus cima do lombo. he he morram de inveja, etc."
Chego hoje, oito graus  e tudo bem, que já aqueci um bocadinho a alma, mas o meu telemóvel ainda sente 28º. Qual é a parte da tecnologia que me está a falhar? Talvez o frio seja mesmo psicológico e o meu telemóvel escolheu ficar no verão.

sexta-feira, 7 de março de 2008

"cada cavadela sua minhoca"
É o título de um mail que recebi do sindicato do qual nem sou sócia. 
Preciso explicar porquê? Vou ler o comunicado?
Não.

segunda-feira, 3 de março de 2008

domingo, 2 de março de 2008

Os acentos!

Eu admito, sou obcecada com acentos e tenho vontade de gritar quando os vejo, coitadinhos, a acentuar ao contrário. Ainda agora saí de um blogue a correr porque tinha um "á". 
Para meu horror, há dias foi no terminal de multibanco de uma bomba de gasolina da BP, um agonizante "ás" qualquer coisa.
Estão a tentar suprimir o `. Não permitirei. Sempre que posso esgatafunho nas listas de restaurantes ou faço aquele sorriso ignóbil e corrijo a quem de direito.

sábado, 1 de março de 2008

Sobre a guerra

Entre Ministério da Educação e professores tenho a dizer que:

- aquele casaquinho de cabedal que o secretário geral da fenfrof leva para todo o lado não se aguenta. E devo dizer de um reparo destes, só por vir da minha pessoa, é grave. E porquê? Porque sou do género que sai de casa com uma meia de cada cor ou a camisola ao contrário, isto nos dias bons. Sr. Mário Nogueira, vamos lá pelo menos a despir o casaquinho nem que seja nos estúdios de TV.

- as sobrancelhas da sra Ministra da Educação: muito out, além de que combinam com os lábios fininhos para dar um certo ar de mesquinhez. E nem vou falar sobre que tipo de pessoa fica lisonjeada com elogios do Valentim Loureiro. É que a senhora foi presenteada com um berloque horrendo que vinha dentro de uma caixa. Ao receber a dita caixa da mão de Valentim, esta fechou-se-lhe nos dedinhos sapudos e Maria de Lurdes nem um pio.

acerca da menina