segunda-feira, 14 de julho de 2008

Suburbano tem perna curta

Deve ter sido o que pensaram os carolas que enfiaram os banquinhos no combóio que faz a ligação Lisboa-Margem Sul pela Ponte 25 de Abril. Tendo os conjuntos de quatro a lotação completa e os seus ocupantes, excluindo-se crianças, anões e eventualmente alguns asiáticos, têm de combinar entre olhares confusos (ou não) quem vai de pernas juntas e de pernas abertas assim encaixadinhos pois esta é a única forma de dois seres humanos caberem frente a frente.
Ora, meus amigos, até os cacilheiros têm um pitch mais confortável, qual foi a ideia? Que a malta do subúrbio vai encolhendo ao longo de gerações ou que gostamos de roçar os joelhos em desconhecidos?

sexta-feira, 11 de julho de 2008

o telefone da velha passa o dia a tocar

Ou está surda, ou está morta ou tem mais o que fazer do que atender o telefone que toca sem parar o dia todo.
Mas alguém liga a uma velha às onze da noite? Se for algum apaixonado e que me esteja a ler por favor volte à moda antiga e escreva umas cartinhas perfumadas ou adopte outra merda qualquer mais silenciosa.
Até já imaginei o telefone numa camilha, ultimo grito da piroseira da moda antiga que parece que também é retro, em cima do naperon amarelado. E a velha, caída, dentro de uns collants cinzentos, a entrar em decomposição.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

too loud

Adormecer a ver algum dos canais FOX é coisa que a pessoa não consegue. Durante os intervalos o som aumenta de tal maneira que um urso a hibernar ia poder jurar que tinha começado a primavera e todos os pássaros adquirido um sistema stereo surround para as cordas vocais.
Tudo bem que posso agradecer a isso o facto de o meu sofá ter muito menos baba do que quando não tinha tv cabo, uma vez que não consigo adormecer durante mais do que uns 30 minutos de cada vez. Mas não era proibido? 
Ah, sim, tal como utilizar crianças em anúncios comerciais e passar publicidade no cinema com as luzes apagadas. Já me esquecia.

terça-feira, 1 de julho de 2008

"O mundo inteiro está grávido"

A frase é de uma inspirada amiga.
Três delas estão grávidas e só nos últimos dois anos nasceram o Tiago, o Rodrigo, a Bia, o Isaac, a Maria, o Vicente para só falar nos que me são próximos.
Já ouve quem mudasse de casa, de profissão, de cidade, de país, de namorado, de visual, de personalidade (não, de sexo acho que ninguém mudou) mas nunca uma fase da vida mexeu tanto connosco. 
Não sei se é um sentimento egoísta de não estar habituada a partilhá-las com ninguém e agora vou ter de o fazer com toda uma multidão pessoas carecas e dependentes. 
O que tem de bom é que já sei tudo sobre mamas que crescem desmesuradamente; as posições sexuais mais adequadas quando se tem uma barriga de seis meses; mamas tipo bisnagas de leite tal é a força do esguicho e todo o tipo de situações bem mais gráficas que nem eu nem vocês vão querer que especifique. 
Esta turma não ia ter conversas normais, tipo sobre estrias. 

terça-feira, 17 de junho de 2008

My Girls

Podem vir todas as nuvens.
Faço parte de uma constelação.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

sobre as meias azul bebé da selecção holandesa

Qual é a erva que nos torna daltónicos?

terça-feira, 10 de junho de 2008

Domingueiros aos rubro.


Eu não sabia, mas vim morar, de verão, com todas as pessoas que vêm, sabe-se lá de onde tamanho é o farnel que trazem às costas, para a praia. Estas pessoas também se recusam a pagar o parque de estacionamento e preferem participar na longa romaria pedestre até esses dois metros de areia ao longo de um quilómetro junto ao mar a que chamam praia. Tenho, por isso, que partilhar o meu espaço com toda esta gente pobre (mas que ainda consegue sustentar um carro) que se amontoa aos feriados e domingos à porta da minha casa.
Chegam cedinho para conseguir os lugares à sombra. Eu acordo, não com habitual som dos passarinhos, mas com o bater das portas dos senhores banhistas que ainda discutem quase dentro da minha varanda quem é que leva o chapéu de sol e quem leva a geleira com o farnel. Mais as criancinhas a arrastar o balde e as pás. Ou os bebés nos carrinhos com uma fralda tapar do sol e a contribuir para o efeito de estufa dentro da refrescante maxicosi de veludo.
Os casais de velhotes que já mal se arrastam para andar mas ainda carregam às costas as cadeiras de lona, o que na verdade é uma boa ideia porque duvido que haja espaço para toda a gente estar na horizontal. 
Os casais de namorados em que ele vem passear a pranchinha de surf e ela finge que ainda acha o máximo, mas aqueles calções coçados e enfiados na gaveta já denunciam o enfado inevitável.
Se calhar vou deixar de ser snob e passo a vender salgadinhos aqui mesmo à porta.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Como assim o "Sexo e a Cidade" não estreou no Fórum Almada?!
Deverá isto significar que não querem um bando de mulheres histéricas a correr desenfreadas pelos corredores dessa grande ode ao consumismo? 
Será que vou ter que sair da toca para ir ao cinema? 
Vou reflectir bastante sobre isso, hoje ainda.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

bloqueadores de conversa


Por algum motivo que me ultrapassa a maioria das pessoas gosta de iniciar uma conversa comigo falando de viagens. Ok, na verdade o motivo é óbvio, tudo bem.
Mas as pessoas não contam as coisas giras das viagens, coisas que tenham aprendido, visitado, curiosidades, comidas boas, etc. Não, dão largas a um rol interminável de queixas: os problemas que tiveram com a bagagem perdida, os vómitos que a turbulência lhes deu e os séculos que demoraram a levar-lhe o maldito copo de água. Eu, impossibilidade de lhes resolver o problema, até porque viajo muito, mas ainda não faço regressos ao passado e numa demonstração máxima da minha simpatia habitual, dou-lhes o tratamento: "talk to the hand". 
Fui a uma festa e alguém iniciou uma conversa comigo dessa mesma maneira: "estás no longo curso? Eu faço imensas viagens, acho que nunca te apanhei". Se eu já sou uma pessoa fácil e acessível, claro que adivinham a resposta: "Sério?! bem, que estranho, somos só DOIS MIL!"

Agora aqui vão umas dicas: 
* é bom fazer perguntas que demonstrem interesse pelo que a outra pessoa faz, mas esperem para ser essa mesma pessoa a abordar o assunto;
* não, não temos viagens grátis muito menos pelo resto da vida;
* não, não ficamos semanas de férias  ao mesmo tempo e no mesmo hotel que os passageiros, isso é nas companhias charter;
* não sei de cor os tempos de vôo para o mundo inteiro;
* não tenho puta de ideia sobre os preços dos bilhetes em nenhuma companhia aérea;
* nunca tive nenhum acidente, nem histórias giras para contar porque as únicas coisas giras que os passageiros fazem a bordo é: vomitar, dar puns e disseminar o cheiro a chulé. Diz que algumas passageiras também aproveitam para se começarem a prostituir em altitude, mas isso é sem o meu conhecimento.

'Tá esclarecido? 

quinta-feira, 15 de maio de 2008

É por isso que está preso.

O cão, chamado Smart, foi denunciado ao canil.
Não tem culpa de ter sido abandonado para dormir ao relento, à chuva, frio e ao vento, mas é ele que é perseguido.
É a coisa mais meiga e dócil, mas até para ser cão é preciso ter sorte.

analizando o post anterior

Ele tem imagem, link e até um asterístico. 
Não sei se o considere rico, excessivo ou chato de tanto trabalho que dá a ler.


Despertares




Ora portanto.
Estou na minha caminha a começar a adormecer e começo a ouvir uns latidos e uivos mesmo aqui ao pé. Viro-me para o outro lado até porque não é todos os dias que tenho o prazer de dormir nesta caminha tão fofa e feita por mim, nos meus lençóis com o cheirinho do meu detergente, etc.
Mesmo concentrada em todos estes pequenos prazeres, os uivos da criatura entram-se-me pelos tímpanos dentro. E a história repete-se já há duas noites. Na primeira foi uma boa surpresa porque estava afinal só há 36 horas sem dormir e assim pude acumular mais umas quantas.
Por algum motivo que me ultrapassa prenderam um cão abandonado* numa espécie de terreno pertencente a pessoa incógnita mesmo em baixo da minha casa. E a criatura, contente que ficou, está num despautério todo o dia. Já não bastava acordar com a outra a berrar pelo BAAAAAAAAAtman, agora isto.
E na minha cama começo a planear que no dia seguinte vou comprar uma pressão de ar e encher o rabo do cão de chumbo, assim como a tromba de quem lá o trancou. Acordo, vejo o ar infeliz da criatura e perco a coragem.
E foi assim que hoje acordei a mistura explosiva do cão a chorar, a vizinha a berrar e... a campainha a tocar. Insistentemente às 9:30 da manhã.
Não foi meu ar desgrenhado que assustou o senhor. Mas sim a expressão assassina e o grito O QUE É?! de olhos esbugalhados. 
- Peço desculpa minha senhora, mas... _diz ele recuando dois passos.
- Sabe que horas são?! Qual é a urgência?! _ avançando três passos e de mão na cintura.
- É um questionário que...
- Olhe... desapareça, SAIA JÁ DA MINHA FRENTE, esqueça que esta campainha existe e LIVRE-SE de me deixar alguma merda de questionário na caixa de correio!

E foi assim que comecei o meu dia muito mais leve.

*o Smart foi abandonado pelo dono do bar "PÉ NU" que, ao ser confrontado com o assunto, responde: se ele não volta é porque não quer. 
Apareceu aqui magro e triste e foi adoptado pelas vizinhas que se compadeceram dele. Foram feitas inúmeras tentativas de o devolver, mas é sempre repelido pelo dono. O senhor está muito mais entretido com a Pitt Bull que entretanto adquiriu. 
O Smart tem andado sempre à solta na rua, mas imagino que agora esteja preso porque gosta de correr atrás dos ciclistas e esses não acham assim tanta graça.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

saber cair

Tenho um novo desporto giro: fazer btt e, nas descidas vertiginosas dos montinhos de areia destes matagais aqui perto de casa, matar mosquitos com a testa. 
Entretanto caí, mas já não com aquele espalhafato de joelhos esfolados, dedos torcidos, boca no chão. Caí com elegância.
Assim nos faz a experiência: não é que deixemos de cair, mas aprendemos a não nos magoar tanto. 
É o que me parece, pelo menos para já.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Estou a pensar em mudar de ramo de actividade

Assim foram os padrões inovadores que criei hoje na minha roupa após uma eficiente centrifugação na máquina de lavar.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

a prazo

Existe todo um departamento na minha empresa encarregue de planear as nossas vidinhas. Na maravilhosa era das tecnologias esse departamento tem ao seu dispôr um programa informático que faz o trabalho por eles. Ou seja, não são realmente seres humanos que decidem se este mês eu vou ver mais ou menos os meus amigos e familiares com profissões convencionais de dias livres ao fim de semana ou se, pelo contrário, tenho os fins de semana para a ramboiada mas nada de consultas médicas nem idas ao banco no mês corrente. O factor humano serve em teoria para garantir um conceito vago e distante que creio chamar-se equidade mas estas pessoas só têm 31 dias ou apenas uns escassos 30, nos meses mais difíceis, para fazer o trabalho e parece que é muito extenuante atender a todas as cunhas, pedidos, exigências, chantagens, simples antipatias ou conveniências e mesmo assim conseguir que a coisa seja equilibrada para todos.
E todos os meses, ao dia 15, começamos nós frenéticos na internet a ver se já saíram as nossas vidas... ou planeamentos, ou escalas como lhe queiram chamar. Claro que nunca sai a dia 15. Isso seria muita antecedência para podermos confirmar presença no casamento de que somos madrinhas (ou padrinhos) ou comprar bilhetes para aquele concerto que adorávamos ir. 
É por isto que este é o departamento mais odiado.
E ainda porque no dia em que sai o famigerado planeamento odiamo-los ainda mais. O concerto já esgotou, a criança já tem outra madrinha ou deram-te a folga para o teu aniversário, mas no dia seguinte entras às 3h da manhã.
No fundo, ao dia 15 já estamos sem nada para nos queixarmos e precisamos das escalas. É a emoção que nos falta.

acerca da menina