domingo, 14 de setembro de 2008

É o ciclo.

Primeiro deixas de poder estar sempre. Não estão habituados, amuam. Nó na garganta cada vez que dizes um não. É o início da formação da carapaça.
Depois habituam-se e começam a esquecer-se de te chamar e de te dar importância. Ligas, impões-te, fazes renascer a necessidade da tua presença. Partes as carapaças à martelada.
E começa de novo.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Aos senhores que pensam nas embalagens de detergentes

Nomeadamente os que maquinam nas cabecinhas as embalagens de detergentes da roupa e particularmente os do Skip, porque é esse que eu uso:

sigam o exemplo do Comfort e da Neoblanc, pelo menos, e façam umas tampinhas que sirvam também de doseador e permitam àquele restinho meloso de produto, que não temos pachorra de esperar que escorra para dentro da máquina, voltar para dentro da embalagem. Sem ficar a pingar para o chão/prateleira ou secar e transformar-se uma bedunguice nojentinha em volta da tampa. Mais importante do que irão poupar em economia de material que fará bem ao ambiente e ao vosso departamento financeiro, pensem em mim que perco a bolinha doseadora ainda dentro do supermercado. Pode ser?

 

domingo, 31 de agosto de 2008

Vende-se caca.

Há uma feira de antiguidades na Costa de Caparica.
A cidade começou por ser local de veraneio de famílias lisboetas, as primeiras casas eram apenas de verão ou de fim de semana. Entretanto passou a periferia da já periférica Almada, humilde vila piscatórica e, hoje em dia, alcança a maturidade sendo o abrigo favorito de um povo emigrante cuja única riqueza que traz na bagagem é um tipo muito característico de animação: os brasileiros.
Alguém consegue imaginar o tipo de antiguidades que este contexto produz? 
Roupa desbotada e comida pela traça; livros de informática tão desactualizados como o manual de utilização do ZX Spectrum; bijuteria foleira em segunda mão; azulejos, meu amigos, azulejos rachados, alguns soltos tipo peças únicas, outros unidos tipo puzzle; tupperwares usados; posters e calendários velhos do Benfica e não deu para ver mais porque estava intransitável de tanta gente.
Todos os domingueiros acorreram às bancas e chafurdavam no meio da camada de poeira branca que saía, grosso modo, das boquinhas dos cães e gatos de loiça também à venda. Uma espécie de efeito especial bem realista para dar aquele ar rústico à cena.
O que parece é que morreram várias tias de pessoas ao mesmo tempo e toda a família está a tentar vender a porcaria que elas tinham em  casa. É melhor que um aterro sanitário e pior do que uma "garage sale".

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Peço desculpa pelo óbvio deste post


E não é que a carinha mais laroca dos Jogos vale mesmo ouro?
cutxi cutxi

Adenda em 22/08
Nunca tinha visto ninguém dançar ao ritmo do Hino Nacional. 
Foi mais um suave balanço, mas estava lá que eu vi.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

A todas as pessoas a quem perguntei isto

As provas de Ginástica Rítmica decorrem nos últimos quatro dias dos Jogos: 21, 22, 23 e 24. Os últimos dois dias são Finais. 
Não sei o horário porque vi esta informação num site brasileiro e a minha cabeça explode se tentar calcular através de todos os fusos horários em questão.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Orgulho nacional

Ninguém sente mais uma perda numa competição do que o atleta que se sacrificou, entregou o corpo e a alma e trabalhou todos os dias para lá dos seus limites .
São anos de privações, sonhos, ambições e planos que se desfazem em minutos. 
Os campeões dos jogos olímpicos são a realeza do desporto em termos de reconhecimento. 
Numa notável contribuição para a estupidez nacional muita gente se revolta e indigna com os nossos atletas olímpicos quando não cumprem aquilo que muita gente se achou no direito de esperar deles.
Eu só tenho uma pergunta a fazer: onde estão aqueles que são os únicos neste país a poderem viver mais do que confortáveis do rendimento do desporto que praticam? Ah, não foram apurados.

domingo, 10 de agosto de 2008

Paparrra

Eu também gosto e concordo que fica no ouvido, mas não deixa de ser irónico o "Rap da Armas" ser a música de fundo das festas glamour e fashion das tiazocas da nossa praça (pelo menos). Elas pelam-se por abanar os corpinhos malhados e lipoaspirados ao som da música da favela.
E estas festas são óptimas, mais animadas de cada vez que visitam o WC. Pagam pela animação ao mesmo tempo que financiam o tráfico, a compra de armas e a criminalidade de que tanto se queixam quando visitam a Cidade Maravilhosa de onde vem o beat que as faz vibrar.
clac BUM!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Como é que alguém chama "Muler" duas vezes (era para termos a certeza) ao Mulder dos Ficheiros Secretos numa peça de telejornal?
Com tanta gente boa no desemprego, a TVI continua a dar emprego a estas antas. 

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Ser mulher

E conduzir um carro é mais ou menos isto:
não dar passagem a ninguém em nenhum cruzamento passando devagar sem sequer virar a cabeça; não parar nas passadeiras porque ops estava distraída; demorar horas para sair da bomba de gasolina nem que esteja uma fila de duzentos kilómetros atrás de nós; passear a casa toda no porta bagagens; fazer colecção de garrafas de água e migalhas de bolacha no interior do carro; ter crises de choradeiras fenomenais e continuar a conduzir.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

odeio Agosto

segunda-feira, 28 de julho de 2008

De Gritos

Os homens portugueses queixam-se que nós somos "muito fechadas".
Após mais ou menos 15 anos de análise e experiência concluo que, a ser verdade, muito eles contribuem para tal. Tenho alguma autoridade na comparação com outros povos porque uma vez por outra dou uns passeios por esse mundo fora.
Vou só dar dois exemplos comparativos que ocorrem quando, nem que seja por uns singelos segundos, nos atrevemos a pôr o pézinho na rua.

Há dez anos:

em Itália com as amigas:
- ti amo!
- bellissima!
reacção: risinhos, alguns acenos e boa disposição geral.

chegadas a Lisboa, logo no aeroporto:
- mesmo boas!
- (o muito em voga na altura) Eh carapau!
reacção: vontade geral de vomitar e algumas tentativas de entrar no vôo seguinte para Itália.

Na semana passada:

passeando no Porto, sai uma cabeça de um carro que acaba de me fazer uma tangente:
- oh boua!
reacção: notinha mental para comprar uma metralhadora e rebentar-lhe os miolos.

passeando em São Paulo, um motoboy bastante afastado:
- gataaa!
reacção: sorriso aberto ao rapazola que seguiu sua vidinha fazendo adeus.

Concluo que os homens portugueses não têm jeito nenhum para abordar desconhecidas na rua e disfarçam a insegurança com agressividade. É que a simpatia custa muito mais a sair e assim não saem de orgulho ferido. Quando em grupos as criaturas competem na estupidez e chegam a ser ofensivos.
Vamos lá sair das cavernas, meus senhores.

domingo, 20 de julho de 2008

Híbridos

- A senhora, o que vai beber?
debaixo do cabelo comprido e das mamas 38 aparece a carantonha de barba e bigode:
- Água!


segunda-feira, 14 de julho de 2008

Suburbano tem perna curta

Deve ter sido o que pensaram os carolas que enfiaram os banquinhos no combóio que faz a ligação Lisboa-Margem Sul pela Ponte 25 de Abril. Tendo os conjuntos de quatro a lotação completa e os seus ocupantes, excluindo-se crianças, anões e eventualmente alguns asiáticos, têm de combinar entre olhares confusos (ou não) quem vai de pernas juntas e de pernas abertas assim encaixadinhos pois esta é a única forma de dois seres humanos caberem frente a frente.
Ora, meus amigos, até os cacilheiros têm um pitch mais confortável, qual foi a ideia? Que a malta do subúrbio vai encolhendo ao longo de gerações ou que gostamos de roçar os joelhos em desconhecidos?

sexta-feira, 11 de julho de 2008

o telefone da velha passa o dia a tocar

Ou está surda, ou está morta ou tem mais o que fazer do que atender o telefone que toca sem parar o dia todo.
Mas alguém liga a uma velha às onze da noite? Se for algum apaixonado e que me esteja a ler por favor volte à moda antiga e escreva umas cartinhas perfumadas ou adopte outra merda qualquer mais silenciosa.
Até já imaginei o telefone numa camilha, ultimo grito da piroseira da moda antiga que parece que também é retro, em cima do naperon amarelado. E a velha, caída, dentro de uns collants cinzentos, a entrar em decomposição.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

too loud

Adormecer a ver algum dos canais FOX é coisa que a pessoa não consegue. Durante os intervalos o som aumenta de tal maneira que um urso a hibernar ia poder jurar que tinha começado a primavera e todos os pássaros adquirido um sistema stereo surround para as cordas vocais.
Tudo bem que posso agradecer a isso o facto de o meu sofá ter muito menos baba do que quando não tinha tv cabo, uma vez que não consigo adormecer durante mais do que uns 30 minutos de cada vez. Mas não era proibido? 
Ah, sim, tal como utilizar crianças em anúncios comerciais e passar publicidade no cinema com as luzes apagadas. Já me esquecia.

acerca da menina