quinta-feira, 25 de junho de 2009

Pêlo não.

Queria aqui pedir a todas as mulheres, que se encarquilham na praia a escarafunchar os pêlos encravados nas virilhas, ou pernas ou onde seja, que párem.
A luz é óptima e eu também quase salivo de prazer quando consigo fazer sair de dentro da cabecinha branca - desgraçados do sexo masculino que aqui passem podem vomitar agora - um pelinho enrolado e enoooorme, tendo em conta o compartimento onde estava encafuado.
Mas essa figura na praia é muito feia, faz-me vir a correr para casa e, de agulha e pinça em riste, desatar a escavacar-me toda.

Amor com amor se paga

No fim de tudo:
renasci
arrumei gavetas
voltei a dançar
ganhei um restaurante espectacular que adoro
percebi que sou capaz

Tudo bem, saí a ganhar.

terça-feira, 2 de junho de 2009

terça-feira, 26 de maio de 2009

Velhos

Eu até gosto de velhinhos. Mas de preferência em quantidades inferiores a 100. A sério, uma centena velhos é dose. Hoje contei 150.
Todos a precisarem de espaço para as pernas gordas e inchadas de varizes: menina, onde é o 54? Não temos esse lugar no avião, deixe-me ver o cartão de embarque. Ah, tenho a certeza que era o 54, agora não sei onde está isso. Acabou de o mostrar ali à porta, procure lá. E sim, lá estava o cartão no meio de 15 outros fora de prazo. Era o vinte seis: olhe, já passou, tem que voltar para trás. E assim os 150 velhinhos andam para trás e para a frente à procura dos lugares, uns por cima dos outros, a pisarem-se e a conversarem muito, a fingirem que não encontram para se sentarem onde lhes apetece. Surdos para tudo o que não lhes seja de feição.
Todos a caminho das casas de banho, muito devagar, a pararem em todos os lugares para falarem com outros velhos. Nós a tentarmos passar, a não conseguir porque os velhos são muito gordos e também não nos ouvem a pedir por favor, por favor, temos que passar.
Os 150 velhos a quererem interagir com o moderno sistema de entretenimento: a artrose em conflito com o 'touch screen'.
Um mínimo de 300 vezes a perguntar o que querem comer porque nenhum percebe à primeira - muito menos se não houver o que querem. Compensam com rapidez e gritos no momento mais aguardado: tinto!
Depois vem o café e as 150 chávenas querem à força ir a transbordar da bebida a ferver, apesar das mãos que as seguram tremerem tanto que fazem adivinhar o pior.
E por fim, o tremendo cheiro de 150 velhos a fazerem a digestão e a conviverem durante seis horinhas num espaço exíguo.

Sim, já sei, de castigo vou viver até aos cem anos, gulosa, surda, resmungona, insuportável e cega.

sábado, 23 de maio de 2009

Que totó?


Eu gosto da Telma. Adoro miúdas "kick ass". E é gira. Mas que totó é aquele?
Não dá estilo, não fica giro nem servirá o remoto objectivo de lhe desviar o cabelo dos olhos, já que é só um.
Tenho dificuldade em entender, pronto. Vim aqui só dizer isto.

terça-feira, 19 de maio de 2009

A Difícil Arte de Ser Gajo

Ele é um cabelinho espetado, mas à régua: muito direito e num desalinho estudado.
A t-shirt colada ao tronco pequeno e a apertar os bracinhos curtos; as calças de fato de treino largas nas pernas que se adivinham de rã porque as mesmas calças são justas na cintura e no rabo. O suficiente para aquele ligeiro enfiamento pela nalga e formação uma* papinho na frente.
A coisa agrava-se se imaginarem tudo isto atarracado em 1,50m de pessoa. A minha maior dificuldade, além de não rir cada vez que ele se mexe é não o pisar porque nem distingo quando está sentado ou de pé.
Entra numa aula cheia de gajas que se juntam à terça-feira para dançar e onde ele onde é que se põe?
Muito macho, à frente de toda a gente, a dois passos do espelho, logo atrás do professor.
Erro crasso porque se a insignificância já era risível, à comparação da bomba dançante que é o nosso guru, torna-se quase digno de pena.
O quase é porque aquele 1,50m de pessoa acha-se o máximo. Caso contrário não abanava tanto os pequenos glúteos, rodando a pequena cintura de abelha e agitando muito os pequenos bracinhos curtos. Muito menos o faria com um risinho de prazer nos lábios e olhar matador para as colegas.

*deixei ficar esta gralha porque o que escrevi primeiro foi "pachachinha" em vez de papinho. Porque é o que parece, na verdade.

sábado, 9 de maio de 2009

Estava em casa, irrequieta, incapaz de tudo, de ficar parada, incapaz de ir a um cinema e de ver pessoas, estranhos, outros. Incapaz de esperar, incapaz de desesperar e mandar tudo às urtigas. Estava já a ficar sem peles nos dedos de tanto roer e sangrar.
Num impulso saio de casa indiferente à chuva torrencial com a desculpa pouco credível de ter que comprar o jornal. Esse, novo, que me desperta a curiosidade pelo nome que às vezes uso: i.
E descubro o porquê da molha ter valido a pena. Porque há pessoas que me fazem sentir normal: o MEC. "Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? (..) O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende." in Nós 01 Românticos, pp3.

A desatar.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Nós, mulheres.

Às compras.
Entramos na loja pela peça que nos chamou a atenção. Vemos a loja toda para não dar o braço a torcer àquele amor à primeira vista.
Pegamos nele, pode ser um vestido. Sentimos primeiro o toque para ver se o tecido nos agrada, ou se vai dar borboto ou se é uma dor de cabeça para passar a ferro. Nada disto nos vai demover a comprar o vestido, porque já estamos apaixonadas, mas é o reconhecer os seus eventuais defeitos para os perdoarmos de imediato ou qualidades que vão reforçar a ideia da compra.
Vamos experimentar. A demora é de pelo menos quarenta minutos porque analisamos de todos os ângulos e nas posições mais improváveis para ver se fica bem. Depois saímos da cabine e vemos no outro espelho que está mais longe e nos dá (tira!) a dimensão do nosso corpo. Só saímos de lá quando arranjamos pelo menos uma posição - em que nunca estamos na nossa vida normal porque ninguém fica parado de barriga encolhida e de perninha para o lado a vida toda - em que o trapo que nos assenta que nem uma luva.

Ou então acabámos de emagrecer 5kg, achamos que tudo fica maravilhoso e demoramos três minutos se chegarmos a experimentar. Aí compramos um "S" que nunca mais vai servir a não ser para assombrar o roupeiro o resto da vida.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

"cidade maravilhosa, mais um pouco pirigosa"*


AMO esta cidade de onde hoje vos escrevo.
Desde o primeiro dia em que assentei os pézinhos no Rio de Janeiro que trago o cheiro entranhado nas minhas melhores recordações.
Não vou sequer tentar esticar o meu fraco jeito para descrever este amor que, como qualquer um, é indescritível.
São as pessoas, o calor, a luz, a envolvência, o ritmo e o sotaque.
Nunca é suficiente, nunca me apetece ir embora, ficam sempre coisas por fazer, há sempre algo novo. Mesmo o imutável não pára de me deslumbrar.

*"Felipão", taxista carioca.
foto credits: Inês D.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Já não me lembrava como era isto de começar de novo. Perder a vontade de fazer coisas que não seja pensar e recordar, imaginar e sonhar. Deixar acumular insolente o trabalho e o corriqueiro porque desfrutar do assalto se tornou urgente e impossível de evitar.
A verdade é que não me apetecia nada, tenho tanta coisa para fazer. E tenho a vaga ideia de que eram coisas importantes. Devia ter anotado na agenda que não uso, mas que daria jeito nesta altura em que o discernimento me está a fugir.
Esqueço-me sempre desta minha capacidade infinita de me apaixonar. Talvez deva anotar algures.
Aqui parece-me bem.

terça-feira, 7 de abril de 2009

A religião do luxo e a cultura do gritinho.

Portanto temos o Jumbo, a Páscoa, a crise e a gula.
Resultado: quarenta metros quadrados de ovos da páscoa numa gritaria de papel brilhante e cores garridas, como se o chocolate, só por si, não fosse atractivo suficiente. Mania da piroseira.
Será que a ideia é fazer-nos gastar aquele dinheiro que temos no bolso, mas até parece mal perante a lamúria interminável da crise? 
Ou fazer-nos acreditar que trazendo aquela pequena e histérica forma oval de chocolate é realmente importante para alguém?
Ok, eu lembro-me da festa que fazia na páscoa quando os meus avós competiam com as formas mais originais de esculturas em cacau - ganhou o meu avô com um burro de chocolate, que os meus pais apostaram que eu ia ter pena de comer, que durou 2 dias - mas uma secção inteira de um hipermercado?
Para quem já comeu um naco de chocolate numa feira ao ar livre cortado à mão por um alemão com pinta de talhante é a tentativa de eurodisney na feira popular da Costa de Caparica.

Sim, é de Caparica. Eu também acho pretensioso, mas é assim.



sexta-feira, 3 de abril de 2009

terça-feira, 31 de março de 2009

MPM JNB

A sensação, a leveza, o bem estar. Os muitos cheiros. Os sorrisos, a energia. Animais ao ar livre. As girafas a olharem para nós, curiosas, ciosas. Saudades. Surpresa. Olhares. África.
O pôr do sol.
Oh Isa podemos sair já?
Epá, façam como quiserem. Eu a mandar num terço da chafarica e a entornar ou a deixar cair cada coisa em que pego, demasiado distraída ou abstraída para pensar em acertar com o café na chávena do 31H.

Ah, ha, muito engraçada com postezinhos em forma de "private jokes". Não é, sou eu com excesso de alcool no sangue, pelo terceito (ou quarto? ;) dia consecutivo a dever uma noite à cama.

Não sei fazer, mas comprei caril porque adoro no camarão e no frango.
Ostras até cair pro lado. Aprendi hoje que tenho que as massajar antes de as comer. Por mim tudo bem, a textura nas mãos a antecipar a textura na língua e garganta.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Lines don't keep other people out. 
They keep you in.

grey's anatomy.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Paragem para Nostalgia

Nunca recuperei do fim da minha relação com a Ginástica. No último dia nem sequer houve treino, estava toda a gente muito ocupada. Lembro-me de estar em cima do praticável onde tinha passado a maior parte do meu tempo livre nos últimos 10 anos a ver o filme todo como se não estivesse lá. A sentir que era o fim, com vontade de chorar ou desatar aos berros. Ou dar estalos àquela treinadora que não me deixava dizer "não consigo", mas estava ali à minha frente a desistir. Queria ter tido aquele treino. Não me pude despedir. 
Iam deixando de aparecer, vocês, uma a uma. Nos últimos tempos era a mais velha na classe que sempre chamei "das grandes".
Chorava sempre em qualquer sarau nos anos seguintes àquele último dia. Tenho saudades do nervoso miudinho antes do saraus; da alegria quando a Mota chegava nos anos em que só vinha na última parte do treino porque já trabalhava, já sabíamos que era risota na certa e, mais ainda, se já lá estivesse a Elsa o treino tinha mesmo que parar: "Meninas, cheguem cá..."; os aquecimentos em que estávamos sozinhas, aquele passinho ridículo a fingir que corríamos: "vem aí a a Gina...".
Devo à Ginástica as melhores recordações, as melhores amigas, muito de mim. 

Só não vos perdoo por termos acabado. 

acerca da menina