quarta-feira, 12 de agosto de 2009

DNR - do not resuscitate

Não é só medo.
É uma dor antiga, que vem do fundo e dói mesmo que se tente esquecer o porquê. Essa dor que já se conhece, uma velha companhia relembra que já lá estiveste. Que não será diferente. Mesmo que seja, voltas lá onde já doeu.
Por mais que possa esquecer - nunca poderei - o virar as costas na cama; o vazio de tantas manhãs; o não esperar nada; não conseguir respirar; os egoísmos. Não posso apagar essa dor antiga, tem vontade própria e traz memória agarrada.
Não volto atrás.
E é assim com a vida também, por isso, por favor, se o meu coração parar de bater, não quero ser reanimada.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Cenas.

Tenho uma coisa muito relevante para partilhar. Aliás, duas, porque ambas têm a ver com amarfanhanços.

Amarfanhar o papelinho do gelado não é admissível em gelados de pauzinho. Por exemplo comer um magnum de amêndoas sem chegar a tirar o papel todo. Mesmo se forem crianças, porque todas as nódoas do mundo na roupinha acabada de vestir de lavado não são desculpa para privarmos o paladar da visão global do gelado. A minha avó comia assim o super maxi e já a convenci a tirar o papel todo. Ai porque se derrete, não, estás é a comer muito devagar. E pessoas que conseguem comer doces e gelados devagar são irritantes.

Amarfanhar ou arregaçar os calções de banho. Esta é para os homens. Epá se não gostam das marcas vistam sunga. Nós aguentamos a visão triste de 50 cm a mais de corpos não mulatos nem musculados e sem sotaque rebolado, em detrimento da versão fralda do calção de banho. Prometo.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Coisas estúpidas que me acontecem V

Confundir o frasco da canela com o do caril, pela manhã, no chá.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Os pombos andam a ficar distraídos.

Só por isso atropelei dois mesmo agora. A 20km/h.

sábado, 4 de julho de 2009

A ciclovia e o complexo da passadeira vermelha.


Porque é que os peões caminham TODOS na ciclovia?

Tenho três teorias possíveis:

1- a vontade irresistível de caminhar onde é proibido, assim também se explica o hábito das pessoas caminharem pela estrada. Se bem que, nós mulheres, podemos estar a viver nesse momento um problema de incompatibilidade entre o piso e o calçado;

2- porque é giro caminharmos todos em fila indiana;

3- o complexo da passadeira vermelha. E é nesta que estou mais inclinada a apostar. A cor atrai o people.
Porque só a verdadeira atracção pode levar famílias inteiras a caminhar num pedacinho estreito de calçada à beira da estrada, num passeio com 10 metros de largura.
Ou ainda ao largo das praias, mas do lado mais afastado do mar. Só o verdadeiro sonho recalcado de pisar um dia, qual verdadeira estrela, uma passadeira vermelha leva a que alguém no seu bonito e domingueiro passeio dos tristes junto ao mar o faça olhando no sentido inverso. Para a bonita cidade da Costa da Caparica.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Pêlo não.

Queria aqui pedir a todas as mulheres, que se encarquilham na praia a escarafunchar os pêlos encravados nas virilhas, ou pernas ou onde seja, que párem.
A luz é óptima e eu também quase salivo de prazer quando consigo fazer sair de dentro da cabecinha branca - desgraçados do sexo masculino que aqui passem podem vomitar agora - um pelinho enrolado e enoooorme, tendo em conta o compartimento onde estava encafuado.
Mas essa figura na praia é muito feia, faz-me vir a correr para casa e, de agulha e pinça em riste, desatar a escavacar-me toda.

Amor com amor se paga

No fim de tudo:
renasci
arrumei gavetas
voltei a dançar
ganhei um restaurante espectacular que adoro
percebi que sou capaz

Tudo bem, saí a ganhar.

terça-feira, 2 de junho de 2009

terça-feira, 26 de maio de 2009

Velhos

Eu até gosto de velhinhos. Mas de preferência em quantidades inferiores a 100. A sério, uma centena velhos é dose. Hoje contei 150.
Todos a precisarem de espaço para as pernas gordas e inchadas de varizes: menina, onde é o 54? Não temos esse lugar no avião, deixe-me ver o cartão de embarque. Ah, tenho a certeza que era o 54, agora não sei onde está isso. Acabou de o mostrar ali à porta, procure lá. E sim, lá estava o cartão no meio de 15 outros fora de prazo. Era o vinte seis: olhe, já passou, tem que voltar para trás. E assim os 150 velhinhos andam para trás e para a frente à procura dos lugares, uns por cima dos outros, a pisarem-se e a conversarem muito, a fingirem que não encontram para se sentarem onde lhes apetece. Surdos para tudo o que não lhes seja de feição.
Todos a caminho das casas de banho, muito devagar, a pararem em todos os lugares para falarem com outros velhos. Nós a tentarmos passar, a não conseguir porque os velhos são muito gordos e também não nos ouvem a pedir por favor, por favor, temos que passar.
Os 150 velhos a quererem interagir com o moderno sistema de entretenimento: a artrose em conflito com o 'touch screen'.
Um mínimo de 300 vezes a perguntar o que querem comer porque nenhum percebe à primeira - muito menos se não houver o que querem. Compensam com rapidez e gritos no momento mais aguardado: tinto!
Depois vem o café e as 150 chávenas querem à força ir a transbordar da bebida a ferver, apesar das mãos que as seguram tremerem tanto que fazem adivinhar o pior.
E por fim, o tremendo cheiro de 150 velhos a fazerem a digestão e a conviverem durante seis horinhas num espaço exíguo.

Sim, já sei, de castigo vou viver até aos cem anos, gulosa, surda, resmungona, insuportável e cega.

sábado, 23 de maio de 2009

Que totó?


Eu gosto da Telma. Adoro miúdas "kick ass". E é gira. Mas que totó é aquele?
Não dá estilo, não fica giro nem servirá o remoto objectivo de lhe desviar o cabelo dos olhos, já que é só um.
Tenho dificuldade em entender, pronto. Vim aqui só dizer isto.

terça-feira, 19 de maio de 2009

A Difícil Arte de Ser Gajo

Ele é um cabelinho espetado, mas à régua: muito direito e num desalinho estudado.
A t-shirt colada ao tronco pequeno e a apertar os bracinhos curtos; as calças de fato de treino largas nas pernas que se adivinham de rã porque as mesmas calças são justas na cintura e no rabo. O suficiente para aquele ligeiro enfiamento pela nalga e formação uma* papinho na frente.
A coisa agrava-se se imaginarem tudo isto atarracado em 1,50m de pessoa. A minha maior dificuldade, além de não rir cada vez que ele se mexe é não o pisar porque nem distingo quando está sentado ou de pé.
Entra numa aula cheia de gajas que se juntam à terça-feira para dançar e onde ele onde é que se põe?
Muito macho, à frente de toda a gente, a dois passos do espelho, logo atrás do professor.
Erro crasso porque se a insignificância já era risível, à comparação da bomba dançante que é o nosso guru, torna-se quase digno de pena.
O quase é porque aquele 1,50m de pessoa acha-se o máximo. Caso contrário não abanava tanto os pequenos glúteos, rodando a pequena cintura de abelha e agitando muito os pequenos bracinhos curtos. Muito menos o faria com um risinho de prazer nos lábios e olhar matador para as colegas.

*deixei ficar esta gralha porque o que escrevi primeiro foi "pachachinha" em vez de papinho. Porque é o que parece, na verdade.

sábado, 9 de maio de 2009

Estava em casa, irrequieta, incapaz de tudo, de ficar parada, incapaz de ir a um cinema e de ver pessoas, estranhos, outros. Incapaz de esperar, incapaz de desesperar e mandar tudo às urtigas. Estava já a ficar sem peles nos dedos de tanto roer e sangrar.
Num impulso saio de casa indiferente à chuva torrencial com a desculpa pouco credível de ter que comprar o jornal. Esse, novo, que me desperta a curiosidade pelo nome que às vezes uso: i.
E descubro o porquê da molha ter valido a pena. Porque há pessoas que me fazem sentir normal: o MEC. "Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? (..) O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende." in Nós 01 Românticos, pp3.

A desatar.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Nós, mulheres.

Às compras.
Entramos na loja pela peça que nos chamou a atenção. Vemos a loja toda para não dar o braço a torcer àquele amor à primeira vista.
Pegamos nele, pode ser um vestido. Sentimos primeiro o toque para ver se o tecido nos agrada, ou se vai dar borboto ou se é uma dor de cabeça para passar a ferro. Nada disto nos vai demover a comprar o vestido, porque já estamos apaixonadas, mas é o reconhecer os seus eventuais defeitos para os perdoarmos de imediato ou qualidades que vão reforçar a ideia da compra.
Vamos experimentar. A demora é de pelo menos quarenta minutos porque analisamos de todos os ângulos e nas posições mais improváveis para ver se fica bem. Depois saímos da cabine e vemos no outro espelho que está mais longe e nos dá (tira!) a dimensão do nosso corpo. Só saímos de lá quando arranjamos pelo menos uma posição - em que nunca estamos na nossa vida normal porque ninguém fica parado de barriga encolhida e de perninha para o lado a vida toda - em que o trapo que nos assenta que nem uma luva.

Ou então acabámos de emagrecer 5kg, achamos que tudo fica maravilhoso e demoramos três minutos se chegarmos a experimentar. Aí compramos um "S" que nunca mais vai servir a não ser para assombrar o roupeiro o resto da vida.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

"cidade maravilhosa, mais um pouco pirigosa"*


AMO esta cidade de onde hoje vos escrevo.
Desde o primeiro dia em que assentei os pézinhos no Rio de Janeiro que trago o cheiro entranhado nas minhas melhores recordações.
Não vou sequer tentar esticar o meu fraco jeito para descrever este amor que, como qualquer um, é indescritível.
São as pessoas, o calor, a luz, a envolvência, o ritmo e o sotaque.
Nunca é suficiente, nunca me apetece ir embora, ficam sempre coisas por fazer, há sempre algo novo. Mesmo o imutável não pára de me deslumbrar.

*"Felipão", taxista carioca.
foto credits: Inês D.

acerca da menina