segunda-feira, 16 de novembro de 2009

I see u


Ouvir a palavra perfeição alternando com óptima aplicada a mim e logo pela manhã têm o poder de me dispensar os saltos altos o dia todo, tal é o ar importante e inchado com que fico. (ok, ainda pior do que isso que vocês todos aí a levantar as sobrancelhas ou com risos irónicos conhecem)
Fazem com que as visitas anuais ao ofltalmologista mereçam a inevitável hora e meia de espera. Aquele médico não poupa nos elogios, tudo bem que aplicados ao seu próprio trabalho nos meus olhos, mas eu fico tão vaidosa que tenho a sensação que saí do consultório aos saltinhos - reacção fisiológica e ridícula a momentos de excitação incontrolável.
Se pensar que, durante anos, a visita a esta especialidade incluía uns óculos pesadíssimos das fileiras de graduações aplicadas e a cara de incrédula da minha mãe quando eu era incapaz de distinguir um B do tamanho real das bossas de um camelo, acho que se justifica.
Se pergunto alguma coisa - é raro: após o alívio de saber que não me estou a transformar numa toupeira entro logo noutra dimensão, o senhor tem uma maquete de olho em plástico desmontável do tamanho de uma bola de andebol onde me explica ao pormenor o que terá que ser examinado e o porquê.

domingo, 8 de novembro de 2009

Banho turco ou a experiência mais próxima que já tive de uma cena de lesbianismo


Todas as viagens têm uma lição, como disse a minha companheira e eu acho que a que tiro desta é que o banhinho é uma coisa que a pessoa, a minha pessoa, prefere fazer sozinha. Ou pelo menos não com a ajuda de uma outra senhora de grandes seios velhotes e descaídos no meio de muitas outras senhoras desconhecidas todas de mamas de fora numa sala enorme húmida e quente.
As senhoras não falam inglês e vingam-se disso esfregando com muita força os corpinhos que lá lhes aparecem. As caras de poucos amigos contribuem para que mais ninguém abra a boca, além das próprias e em turco, estando pelo menos umas vinte mulheres semi nuas, a cozer ao vapor de olhos fechados, mudas e imóveis.
Foi assim uma mistura de orgia lésbica com câmara de gás.

Istambul - 2009

domingo, 1 de novembro de 2009

Referência Inspiradora

"Vamos estar obcecados com a isenção, a investigação, a profundidade"

in Público, editorial - Um novo começo.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Chegada

Sono, vontade daquele banho.
Que frio é este?!
Onde é que estacionei o carro?... Espero que pegue.
Abro o porta-bagagens, pingos de chuva, cheiro a humidade. O meu carro continua a meter água.
Tenho frio, mas não posso ligar o ar quente senão adormeço. O banho quente vai resolver tudo. Conciliador.
Casa, desfazer a mala, roupa para lavar. Será que vai chover hoje? A roupa do corpo logo de molho, faça chuva ou sol.
Cheiro esquisito, merda, de que é que me esqueci a apodrecer? Caldo verde azedo no frigorífico. Não vou ter sopa para quando acordar. Quero lá saber, já só penso no banho e dormir.
As malas e a roupa espalhadas no corredor, quando acordar logo arrumo o resto.
Água a correr na banheira. Fria. Fria. Continua fria.
O esquentador avariado.
Paciência, vou já dormir. O telefone a tocar porque o dia das outras pessoas está a começar, não sabem que o meu acabou mesmo agora. Não têm que saber.
Desligo. O resto do mundo pode arder. Logo vejo quando acordar.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Existe a possibilidade de o IKEA estar a tentar matar-me

Ontem fui lá comprar uma mesinha para o computador portátil. Saí com um tampo em vidro a pesar 50kg.
A pessoa vai, entusiasma-se, escolhe à bruta e só vários corredores depois - e já no Mundo Infinito das Caixas de Cartão - se apercebe que se está sozinha a braços com mais de dois terços do seu próprio peso para, primeiro, puxar da prateleira e acertar no carrinho. Segundo, enfiar o monstro dentro do outro carrinho um pouco maior, mas não o suficiente, que a levará a casa.
Foi um carnaval: tirar várias camadas de roupa uma vez que o suor me atrapalhava enquanto puxava a caixa para cima do carrinho tendo que o segurar, ao mesmo tempo, com os pés. De novo, mas a operação inversa, para dentro do carro. Não coube e lá foi o carrossel até casa de porta bagagens aberto e várias passagens por carros-patrulha da PSP. O festival termina com o transporte do carro até casa, arrastando com paciência o enorme rectângulo passo a passo e com a caixa a rasgar-se toda deixando o vidro fugir num oportuno degrau que me levava ao elevador.
Quase decapitando os meu pés, consigo travar a fuga evitando o estrilhaçar total da mesa.

A atracção do abismo é muito forte e hoje volto lá. Desta vez são 30kg de Billy para acartar.
Já no Mundo Infinito das Caixas de Cartão (MICC) começo a preparar-me para a operação "caixa com dois metros e dez de comprimento para cima do carrinho de mão" e... zás! O MICC rouba-me o telemóvel. Sugou-o da minha mala e tentou engoli-lo para impedir-me de pedir ajuda enquanto tentava asfixiar-me com caixas e ácaros.
Valeram-me os 14 anos de Ginástica Rítmica para me torcer e esticar tanto que consegui alcançar o telemóvel. As profundezas do MICC não estavam assim tão sujas que, mesmo após esta frenética esfrega no chão do corredor 1 secção 68, pude dirigir-me à caixa de pagamento com o mínimo de dignidade.
A saga termina com várias nódoas negras e arranhões no meu corpo, mas retaliei muito bem, como poderão atestar os meus amigos quando vierem cá em casa e virem várias prateleiras montadas ao contrário. Que é para não serem espertas.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Sopeira


Uma gaja sopeira é aquela que, mesmo de vestido de noite, parece sempre que está de avental.
É muito dona de casa, sabe tudo sobre como tirar nódoas, mas não de uma maneira cool como a minha avó que às vezes parece fazer magia, mas do tipo comezinho de quem acha que veio ao mundo para deixar tudo muito limpinho e a cheirar a sonasol.
Nunca se maquilha muito.
Mesmo com as mãos arranjadas tem sempre aquele ar inchado das frieiras.
Não usa saltos muito altos por causa da coluna.
Mesmo que esteja de pé, parece sempre estar encolhida de frio. Com as mãozinhas juntas no regaço.
Fala sempre baixo e não gosta de discutir para não arranjar problemas.
Come sempre muitas sopinhas.

E não imagino estas gajas a foder. Consigo admitir o cenário delas na cama a fazerem filhos com o marido, mas não a foder.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Coisas estúpidas que me acontecem VI

Sabemos que a nossa vida está assim um pouco a atirar pro confuso quando perdemos qualquer coisa como

Um alho francês.

Comprei-o ontem na praça, tenho a certeza e não está junto de todos os outros legumes detro do frigorífico. Já procurei por todo o lado e não encontro.

Hum...

Talvez na minha mesa de cabeceira.

Um poeta do caralho


Este é o Barbas, -->
o poeta era muito parecido, mas vestia pijama


Ontem na rua estava um senhor em pijama e muito barbudo - de repente até me parecia aquele benfiquista nojento, o Barbas - a declamar.
Primeiro, e sem o ver, pensei que era uma briga porque se distinguiam algumas palavras que soavam a palavrões. Depois, mais perto e perante a entoação e voz bem colocada parecia algo tipo campanha eleitoral. Temi cruzar-me de novo o com o Pedrófilo Pedroso. Exacto, na semana passada o meu caminho cruzou-se com o dessa lula branca asquerosa.

Foi quando cheguei mais perto e percebi que o dono da voz era aquela figura e estava a declamar algo sem nexo, mas muito bem dito:

- ... As honoráveis excelências que me chupem o caralho, para os filhos da puta não transcenderam as vias das possibilidades...
- ... um considerável momento de infinita puta de merda transforma-se numa esporra que nem ao colhão mais inócuo será indiferente...
- ... sejam fiéis e ao caralho que vos foda.

Entretanto parei de tirar notas porque tinha as uvas e os diospiros no carro ao sol. Mas o senhor esteve horas nisto em frente ao mini preço e sempre sem repetir muito nem o vocabulário nem o vernáculo.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Os meus emigrantes

Já tinha saudades deles, ainda que ao fim de sete ou oito horas fique farta.
Desta vez, os do norte do país anafados e coradinhos, muito sorridentes a pedirem vinho tinto para beberem à refeição. A misturarem a língua portuguesa com a do país que os acolheu e lhes sugou a juventude.
A segunda geração, já nascidos no país dos outros, sem saberem bem onde pertencem, a exibirem orgulhosos a dicção da língua estrangeira. Não são vistos como naturais lá, cá na casa já não se enquadram: não têm terra. Não conseguem reproduzir nem sentir aquele suspiro de conforto de quem chega a casa só de pôr os pés no avião português. Esses são os pais, que ainda têm uma casa onde regressar.
A terceira geração, os filhos e netos já não falam português. Entendem, mas não gostam de falar porque na escola chega a ser factor de exclusão e assim fazem por esquecer aquela pequena vergonha. Acho até que muitos não gostam de cá vir na férias e ficam aliviados assim que regressam a casa.
Por isso eu gosto é dos velhinhos, que me pedem "oh menina dê-me juice com ice, ou uma soda por favor. Tanks."

Got to love this city



O segurança à saída do metro a cumprimentar toda a gente:
- Hello baby, looking good today.

Eu:
*sorrisinho*

Ele
- gorgeous smile, got to love latin women!

Por alguma razão, uma das raras vezes em que não passo por bifa. Não fiquei para perguntar porquê, às 9h da manhã o mar de gente a sair do metro é imparável.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

I Gotta Feeling - Live on Oprah's 24th Season Kickoff Party

O que eu dava para estar numa cena destas.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Antes só que mal acompanhada

Ora, uma pessoa a vive bem, sozinha, sem grandes partilhas. Não está ninguém à espera quando se chega, não fica ninguém quando se vai. Uma pessoa desarruma, a mesma pessoa arruma, limpa-suja, and so on. Vê os canais de televisão que quer sem negociar, pode ocupar os dois lados da cama ao mesmo tempo e várias outras vantagens que agora não me apetece enunciar.
Um belo dia, 2.538.164 outros seres decidem mudar-se contigo. Para dentro da tua casa. Todos em filinha indiana.
Comem a tua comida, instalam-se onde lhes apetece, passam por cima de toda a folha e têm o descaramento de passear com calma e descontração nas TUAS COSTAS enquanto dormes.
Primeiro, muito histérica, corri pela casa fora a disparar Cilit Bang nas fuças dos seres. Depois inundei tudo em Ajax Expel.
Quando já só faltava EU tomar banho em repelente - e Deus sabe como não preciso - e depois de virar a casa ao contrário para expulsar os meus novos 2.538.164 melhores amigos, foi-me apresentada uma espuma milagrosa.
Livrei-me finalmente das putas das formigas.
Dum Dum espuma mata formigas - especializado, não vão em merdas que matam todos os insectos porque além de não ser bom matar aranhas por exemplo (e antes que as meninas comecem com gritinhos: ai ai, aranhas, que nojo, matem-nas todas - elas fazem o controlo da população de insectos na natureza) os ditos genéricos acabam por não matar coisa nenhuma.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Saaaai, saaaaai

Interrogo-me se haverá algum motivo especial para a puta da box da Zon encravar sempre nos canais HD que estão bloqueados.
Não dá para fazer um relaxante zapping sem ter de cravar as unhas no comando sempre que passa pelo Mov HD, AXN HD, National Geographic HD...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Tesourinhos

Milli Vanilli

A indumentária.
A coreografia.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Red Eye


O problema das pessoas dormirem no avião é, no caso dos homens, acordarem de pau feito.
Nunca me tinha apercebido deste senão - absorta que estou na imersão em bafo pestilento e chulé abundante - até há algum tempo atrás.
O senhor tinha pinta de índio e acordou com um tamanho pau que nem a pochete do computador disfarçava. O desgraçado nem se levantou para ir à casa de banho e matar aquele bicho tal era a vergonha. E não deve ter ajudado o facto de, sem querer, a bandeja e a minha mão lhe terem roçado.
O nojo e o horror.
Quando percebi que raio de coisa dura e quente era aquela onde a minha pura mãozinha tinha tocado ao de leve corei até à raiz do cabelo. Não contente, contei a todos os meus colegas que, em fila indiana, puderam comprovar a desgraça.

acerca da menina