sábado, 1 de maio de 2010



Tanta, mas tanta cena por ela acima - hormonas e tratamentos - que a minha melhor amiga mais parece o Tragabolas.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Seis semanas

Ah, pois é. A detestável conversa das semanas para a qual ninguém tem saco. A cena é que tudo funciona assim: às 12 semanas não sei quê já é considerado quase gente; às 40 rebenta a bolha and so on.
Isto tudo para dizer que neste mês e meio há a registar:
chi chi a toda a hora
chamuças
- o que a minha irmã chamou de - processo de Armindização, que consiste em estar intragável de sono às 8 da noite e acordar às 7h da matina como se fosse normal, tal como a minha mãe.

terça-feira, 20 de abril de 2010



Queria só advertir que estou a achar esta Primavera uma bocadinho perigosa e talvez até excêntrica em termos de fecundação.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

"- Oh menina! Traga-me lá um palito pra eu tirar aqui as febras de bacalhau que tenho no dente."

sábado, 10 de abril de 2010

O banho turco continua a dar cartas

Desta vez não fui outra vez a Istambul para ter uma experiência do além nestas salinhas traiçoeiras, como tanta coisa que une humidade, escuridão e calor nesta vida.
Eu sou uma pessoa que vê mal no escuro. E ardem-me os olhos - assim como o nariz mas para o caso não conta - por causa da essência de eucalipto.
Portanto entrei de olhos fechados. Vou para me sentar ainda à luta com a escuridão e a dificuldade em respirar e sinto algo parecido com uma mão, mas que também podia ser um molusco vivo e molhado, tap tap na minha perna.
...
Ia sentar-me ao colo dum velho.

Primeiras impressões sobre o Yoga

Pronuncia-se iôôga. Mas isso eu já sabia.
Correndo o risco de denunciar o amadorismo em ambos os desportos acho que o Yoga é como o Amor.
Primeiro parece fácil: acerta-se a respiração, estica-se um bracinho pra lá uma perninha para cá. A coisa vai bem, continua-se com uns joguinhos de equilíbrio só numa perna, depois na outra. Agora de gatas numa perna e numa mão, troca de perna e mão, etc. Depois começa a avançar e já se mistura pernas, braços, tronco, tudo sempre sem esquecer a respiração e, quando dás por ela, estás com uma perna às costas e não no bom sentido. Aí começa a doer, mas já nem sabes bem onde tudo começou nem como desatar o nó colossal que tens no corpo.
No dia seguinte doem-te músculos que nem sabias que existiam.

É isto e diz que é zen.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Toda uma nova desgraça


Descobri agora e é a mais recente razão da minha batalha inglória contra estes cinco quilos extra que se apoderaram do meu corpinho desde o verão passado.
Resolvi partilhar na esperança que fiquem tão viciadas como eu. Talvez assim não seja a única orca este ano a rebolar nas areias do nosso querido Portugal.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O inferno são os outros


Ainda gostava de saber o que fazem velhinhos de 70 anos e mais às 9h da manhã no meio da rua com este frio.
Aliás, eu sei, porque quando já eram três exemplares conversavam muito sobre como não conseguem manter-se em casa.
Eu comecei sozinha na paragem de metro - de superfície, em Almada é assim ao ar livre, uma riqueza - e primeiro chegaram dois senhores, muito encolhidos. Talvez em busca de calor humano, mas a minha aposta seria para pura falta de noção, um deles ficou de pé exactamente à minha frente. E quando pensava que a possibilidade de lhe contar os floquinhos de caspa no casaco eram já o expoente máximo da proximidade possível e aceitável entre dois estranhos no meio da rua, o velho consegue pisar-me.
Senhores, eu calço o 36 e não estou a ocupar assim tanto espaço.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

O Desenraizamento

Fui chamada de assistência, quatro dia fora de casa, e comecei a chorar. Quem me ligou falava como se me estivesse a convidar para uma festa: quem me dera esganá-lo. Amaldiçoei quem quer que tivesse faltado.
Numa semana dormi quatro noites em casa. Num mês devo andar por aqui cerca de 60 por cento dos dias. Ou talvez esteja a exagerar.
A verdade é que estas contas pesam-me. Faz-me falta vir dormir a casa.
As pessoas desabituam-se de mim e eu delas. Faz-me impressão que os meus pais já não me liguem ao fim-de-semana a perguntar se vou almoçar.

Éramos só mulheres, dez, a trabalhar e parecíamos as melhores amigas na carrinha a falar de cinema e a rir muito. Assim que chegamos e nos misturamos com a vida real desaparece tudo e já nem nos lembramos de quem eram. Nem onde fomos.

Chego a casa e já me passou a neura. As saudades em vez de aumentarem atenuam. Quase desaparecem. Tudo toma uma importância relativa, uma vez que daqui a nada já me vou embora outra vez.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Exercício de imaginação

Imaginem-se com dez anos. Lembram-se? Aquela passagem para a escola preparatória, mudar de amigos, a novidade dos muitos livros e disciplinas, o medo de se perderem na escola tão grande e com tanta gente.
Agora imaginem que a vossa mãe adoece. É grave e degenerativo, pelo que a partir daí só a vêem piorar. Ano após ano, a vida toda em volta daquela que era a alegria da casa murcha, apodrece, deteriora-se.
Vocês têm agora quinze anos e uma das vossas rotinas é ir ao quarto de onde a vossa mãe já não sai para se certificarem que ainda está a respirar. Não está. Morreu e vocês estão sozinhos em casa com o vosso irmão mais novo.
A partir daí há um alívio pelo fim do sofrimento de um dos pilares da vossa vida. E há a perda. Queríamos que ela ficasse connosco, mesmo doente, podia ser que ainda houvesse outra cura, outro tratamento que resultasse. Quem é que nos vai agora ensinar a ser mulher, interceder pelos nossos namoricos, pegar ao colo?
Vocês sentem-se na obrigação de crescer ainda mais, de tomar conta da casa e da família que vos resta.
O pai encontra uma namorada, o conflito é permanente. Vocês não aceitam outra mulher.
Três anos depois de terem perdido a vossa mãe, os dezoito anos acabados de fazer, o vosso pai desesperado, louco, perde a cabeça e mata a namorada. Acontece tudo em frente à vossa casa. Logo a seguir, o pesadelo continua e o vosso pai tenta suicidar-se.
Está montado o circo de pessoas curiosas e comunicação social. Mesmo à porta da vossa casa.
No dia seguinte tentam alguma normalidade e vão à escola. Está à porta a senhora Serenella Andrade - para só mencionar uma e a que me pareceu a situação mais ridícula - à espera para falar "com a família da vítima" e de caminho, se possível, alimentar mais um pouco esse animal sedento de sangue que é o público.
Para onde quer que se virem há comentários sobre o caso, informações cruzadas, mentiras, imprecisões e isso tudo magoa, revolta e prolonga o sofrimento de toda a gente envolvida. Há uma foto que foi publicada, saiu sabe-se lá de onde. É o nosso pai feliz e de férias quando o vemos agora no hospital e com a cara desfeita pela munição que (não?) cumpriu o propósito. A impotência de haver estranhos a mexer nas nossas memórias, a perda do direito à privacidade.

Felizmente vivemos num país onde de tão raras, estas notícias conseguem alimentar as notícias durante vários dias.
Fazendo o simples exercício de nos colocarmos no lugar destas pessoas, mesmo não sabendo toda a extensão da estória, será que é pelo preço justo que vasculhamos as suas vidas?

domingo, 24 de janeiro de 2010

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Healing Process


Sim, queria ter dito tudo. A verdade até ao fim. Não acredito na meia verdade, sempre a repudiei e agora ando a usá-la.
É egoísmo, é protecção, é falta de tomates, é querer ganhar tempo. Ou será que só o estou a perder?

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A Grã Cruz da Ordem de Cristo e a regra.

Então mas afinal uma distinção obedece a uma regra? E assim sendo qual é o mérito?
Só sei que se tivesse uma dessas hoje deitava-a fora. Passou a insulto.
Admiro a autoconfiança do senhor, que estava hoje às oito da manhã à espera do médico dentro de um impermeável branquinho com o rato Mickey, que lhe permite não só sair de casa numa indumentária destas como chamar toda a atenção a si mesmo gritando em grosso vozeirão - Há pessoas à espera! - quando uma desgraçada acabada de chegar se aproxima e faz o teste das portas fechadas.
Aquele grito teria sido muito intimidador não fosse o kispo branco com o rato Mickey.

acerca da menina