terça-feira, 28 de setembro de 2010

Prelúdio

Tive sempre um bocadinho de inveja da caixa da minha querida m.
Um caixinha cheia de passado que podemos ou não querer revisitar, mas que não pode ser deitado fora.
Guarda-se no fundo do armário à espera que - gosto eu de pensar - nos venha parar às mãos quando precisarmos de conforto ou ensinamentos de nós mesmos.
Descobri hoje que afinal tenho essa caixinha. Pus de lado a pretensão de maturidade que pressupõe, acho, o enterro de certas ideias, amores, paixões,  loucuras, arranques, depressões. Nunca fui de escrever diários, vou deixando papelinhos como recados a mim mesma. Consegui guardar alguns.
Para ser eu, a minha caixa é cheia de idas e voltas. Certezas que se contradizem no mesmo momento.
E de incertezas. Incapacidade de ver o que está à minha frente e seguir o instinto. Saber o que é afinal o instinto, distingui-lo e limpá-lo de medos, convicções e tantas merdas que misturo.
É para isso que serve a minha caixa, para misturar aquilo que não pode ser arrumado em conpartimentos nem arquivado de forma organizada. É uma espreitadela para dentro da minha cabeça. 
Já a tenho.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Alegrias da maternidade

A cabeça da minha filha fica tão saliente e visível na barriga que se quiser já posso começar a dar-lhe carolos.

sábado, 11 de setembro de 2010

26 semanas

Novas sensações:

- mamas a tocarem na minha própria barriga;
- barriga a sentir pele macia de mamas;
- descoberta da origem do significado da expressão pain in the ass: dôr ciática.


Ah, e claro,
- o bebé a mexer cá dentro.
Divertido quando não é sapatiado no meu umbigo ou sevilhanas às quatro da manhã. Todos os dias, certinho como um relógio.

domingo, 22 de agosto de 2010

23 Semanas



Há vários erros que se cometem com grávidas.
Vou só destacar dois que seriam evitáveis se as pessoas se limitassem a lidar connosco numa base da normalidade e senso comum. Ou podemos até ser arrojados e imaginar que não se esquecem do que sempre souberam sobre esta pessoa em particular, isto no caso de amigos, familiares e conhecidos:

- assumir que, por estarmos grávidas, adoraaamos todas as crianças. WRONG!

Eu gosto das minhas crianças, dos filhos das amigas - quando se portam bem e fazem gracinhas. Incondicionalmente só da minha e mesmo assim, a manter-se a sua actual frenética actividade nocturna, não sei se seremos muito amiguinhas.
Não tenho saco nenhum para putos aos berros e aos saltos cujas mães apontam para mim à espera de compreensão imediata ou qualquer tipo de afinidade. Ontem ao entrar em casa havia dois exemplares destes a trepar para dentro e fora do carro dos pais e a mãe apontou para "aquela senhora com um bebé na barriga" aos gritos, para se fazer ouvir acima dos guinchos. Vi na cara dela o desalento quando confrontada com o meu olhar de desprezo. Ou nojo, estava sozinha não posso precisar e ambos têm andado muito a par nos últimos tempos.

- tocar na barriga à maluca e sem aviso prévio. NUNCA

Hands off a menos que eu esteja claramente disponível ou dê indicação para tal. Chegar e meter as patas não é bem tolerado. Ela até se pode estar a mexer e eu não querer partilhar. Lamento.

E para já é tudo. Parece-me fácil e, na dúvida, assumam só que estou ainda mais bitch do que é normal e tudo correrá bem.

sábado, 14 de agosto de 2010

SCUT

Sistema de Contribuições para Uma Tragédia
Que é a boca do Almerindo Marques,  presidente da Estradas de Portugal. Vamos lá todos pagar, meus senhores, que não são portagens - é caridade.
Eu chamaria mesmo SCON que seriam as Contribuições para O Nojo que é a boca do senhor.

Dito isto, vou só ali abrir uma empresa com o vosso dinheiro e ainda vos cobrar impostos e custos de utilização por cima. Tenho só que arrajar tempo para encaixar também a venda dos sistemas de escarradores, outro negócio que descobri dentro do nicho já aqui mencionado.
Talvez faça uma simbiose.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Tenho muito que aprender

Sobre paciência e generosidade.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

sexta-feira, 30 de julho de 2010

20 semanas

Evito pessoas com quem não tenho grande confiança para lhes poupar o contrangimento da convivência no mesmo momento espacio-temporal com o meu colossal par de mamas.

Cabrona da obstetra que escreveu no livro que isto só insuflava até aos três meses. Temo que não hajam letras no abecedário suficientes para nomear as copas de que vou precisar.

Gosto especialmente das insónias diárias como prenúncio e castigo antecipado pelo que aí vem e que sempre disse que não aturava, fiel adepta que sou (era?) das oito a nove horas diárias de sono.

Ontem na ecografia uma pequena mãozinha deu "tchau" para a câmara, qual verdadeira artista de variedades, enquanto o cordão umbilical escondia o segredo bem guardado.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Contraluz

Sou exigente com o que é meu. Pode ser isso. Acredito que é sempre possível e obrigatório fazer melhor. Aflige-me a mediocridade porque ando sempre com um pé lá fora e gosto de me orgulhar da camisola que visto.
Do alto da minha ignorância cultural cinematográfica vou só falar do que senti:
Sentada no cinema a ver este filme senti-me subestimada. A história, por tomar o público por pouco perspicaz, (ou, ocorre-me agora, por insegurança de quem a editou) perde o ritmo e torna-se redundante. Nós já percebemos que os pontos convergem ali, escusam de nos mostrar o mesmo quatro vezes.

sábado, 24 de julho de 2010

De volta aos golfinhos chacinados no Japão:

segunda-feira, 12 de julho de 2010

17 semanas

Gosto da parte em que já posso fazer comparações entre cães e crianças sem ter que gramar o olhar reprovador das melhores mães do mundo a quem nem passa pela cabeça que as suas criatuas sobredotadas possam ter algo de canino.

E também tenho ordem para usar todo um mundo de material neste blogue. Por exemplo, tenho outra ideia para um negócio espetacular a médio prazo: churrasco de células estaminais.
Eu explico:
a preservação dos cordões umbilicais cheira a negócio da china por todo o lado e a toda a gente, pelo menos a mim, vá. É caro que chegue para enriquecer a curto prazo as empresas, mas não o suficiente para nós pais histéricos e mergulhados em hormonas - tudo bem, eu - não querer viver com a ideia que, por mil euros, não garantimos um possível tratamento para possíveis doenças graves.
Daí, a médio prazo, vamos saber se aquilo cura doenças ou não, mas para churrasco do bom eu diria que é garantido.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Upgraded mr. Spok


Tão gira a T´Pol... quando for grande quero ser como ela: insensível e barra a matemática.
Talvez se for ali agarrar-me aos livros...

Quinze semanas

"... com o cérebro confiante impregnado de hormonas optimistas, um dos truques da evolução para fazer aquela criança transpor a primeira barreira."

McEWAN, Ian, "Solar"

No meu caso a tal confiança e optimismo renovado fazem com que me sinta no direito de odiar toda a gente. Porque estou muito bem sozinha contra o resto do mundo. Aliás estou muito melhor porque eu é que sei tudo.
Sei mais até do que o meu obstetra porque o corpo é meu e o facto dele praticar a especialidade há trinta anos não lhe dá autoridade nenhuma no que a mim diz respeito.

E quando acabo de odiar todo o mundo começo também a perder a paciência comigo. Sempre enjoadinha. Ai que agora tenho tanta fome, faço um lanche de três cerejas e ai que agora estou tão cheia. Ai que não suporto abrir a porta do frigorífico, tenho que ir à rua, ai que não posso nem ver coentros leve-me já esta salada daqui por favor.
Este carnaval de duas em duas horas? E a merda dos enjôos não parava aos três meses?
Dasss

domingo, 13 de junho de 2010

"As vuvuzelas fazem parte das pessoas que gostam de assoprar (...)"

Cristiano Ronaldo hoje em conferência de imprensa sobre o quão irritantes são estas cornetas.

Serta Sheep

acerca da menina