- A minha pequena instrutora de postura dá-me chutos nas costelas se estou numa posição mais encolhida.
Já deu a volta. Do alto da minha extrema sensibilidade não dei por nada e a ecografia foi uma surpresa.
- As aulas de preparação para o parto:
Histérica e ansiosa como sou, comecei antes da maioria das pessoas: há um mês.
Descobri que há uma visão ainda mais cómica do que aquelas mães que se arrastam atrás das filhas grávidas para as consultas apenas para ouvirem o tempo todo o quanto estão desactualizadas. Se há coisa fora do contexto são os papás a simularem uma contracção e a acompanharem nas respirações. Não sei se todos os cursos são assim, nem me interessa, vou falar apenas deste e do meu ponto de vista, como sempre.
Ora, nunca um homem vai ter a mais remota ideia do que é estar grávido. Nem precisa, os homens têm outras funções.
Eu evito certas comidas porque já sei que a moça fica com soluços. Ter um ser dentro de nós a soluçar não é partilhável por mais mãozinhas na barriga que o papá possa meter.
Eles estão ali deslocados e se não fosse cómico seria doloroso assistir. Sim, acho que devem estar informados pelo menos para não atrapalharem com - ainda mais - perguntas descabidas, mas poupem-nos ao resto. A eles e a nós.
Para os integrar no trabalho de parto eles são convidados a contar os minutos das contrações ou a marcar o ritmo da respiração. Agora imaginem-se durante horas em casa, ou na maternidade com o vosso corpo a dilatar desde a medida de uma moeda de um euro até aos dez centímetros de diâmetro, a ganir de dores. E o outro a tratar da contabilidade.
Conseguem imaginar função menos importante no momento em que o nosso filho se prepara para vir ao mundo?