sábado, 9 de julho de 2011

I´m sorry, what?


Esta onda de mulheres perfeitas que logo depois de parir  - que é como quem diz logo no primeiro ano de vida dos putos - estão em óptima forma física e mental; conseguem arranjar as unhas e ir ao cinema; fazer receitas maravilhosas e ainda escrever nos blogues como; namorar imenso os maridinhos; dedicar bom tempo à querida família que quer, precisa, exige imenso tempo com a criatura recém chegada; andar sempre com óptimo aspecto, penteadas, maquilhadas e sorridentes, começa a irritar-me.
Eu que tenho dias em que nem consigo pentear-me porque tenho gritos; um dia após descobrir que ela adora estar dentro da banheira vazia a brincar com os patinhos e assim me permite disfrutar do MEU banho, apanho-a  - com o coração a saltar-me pela boca - ainda no ar mas já de cabeça para baixo em queda livre porque "oh... o patinho caiu pro chão, vamos lá ver se me empoleiro aqui e consigo apanhá-lo"; tenho lá cabeça para dietas, assalta-me sempre uma fome descomunal; quero lá saber de vida social, o que me importa é estar na cama às nove da noite e de preferência não acordar com o batuque da merda do Pé Nu.
Caralhinho.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Para a P

Dez horas sempre foram o meu mínimo de tempo de sono para me sentir em forma, adoro não fazer nada, não tenho saco para putos aos berros, curto estar no meu canto sem grandes convívios, fiz ginástica toda a vida porque adoro e além de tudo isso nunca fui de grandes merdas lamechas.

Entretanto engravidei. Nada de especial: um panção gigante, mamas XXXL, tudo bem.
Depois nasceu a Diana.

E é o Amor.
É de outro mundo, de uma dimensão à parte.
Os meus pais preocupadíssimos porque não desgrudamos uma da outra, porque não a deixo lá em casa "para ir a algum lado".
Não quero ir a lado nenhum sem ela.
Gosto que ela me acorde de noite para mamar. Tenho saudades dela se não o faz.
Estou sempre a dar-lhe beijinhos naquelas bochechas, nos pés, no corpo todo. Não sei se algum dia passará esta fase de lamber a cria.
Todos os dias fico surpreendida nem que seja só com um olhar.
Sinto uma adrenalina imensa de saber que este ser humano nasceu de mim e que se alimenta de mim.
Aprendi a cozinhar.
O meu corpo, céus, tão diferente... Mas sou grata pelo parto que tive, pelas mamas a funcionarem bem, pela cabeça fria de que já precisei e pela resistência.
Hoje estou com 38º de febre por causa duma mastite e continuo feliz, porque ela está bem, saudável. E a dormir.
Tenho sempre medo, que é uma forma de estar mais alerta, mais consciente, mais responsável.
Sou assim no (neste) amor, obcecada, intensa, dedicada até à última gota de sangue.

Nada da tua vida fica igual, conheces limites e emoções diferentes de tudo o que viveste até aqui.

Nem toda a gente quer isso, está para aí virada. São opções.
Mas se queres P, força, força e sem medos. ;)

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Quase cinco meses

Descubro na alegria da cara dela quando me vê mesmo que tenha saído só há cinco segundos ou no conforto que lhe dá o meu colo que foi ela que me tornou mãe.

terça-feira, 22 de março de 2011

Amamentar

Dedico este post a todas as mulheres que descobrem na decisão de amamentar os filhos uma luta - mais uma - contra preconceitos, invejas, ciúmes, incompreensão, ignorância, horários, tabelas de percentis, regresso ao emprego.
Dar de mamar é um acto de intimidade, de partilha e de amor.

Mando um abraço forte a quem está, neste momento a olhar para o bebé inconsolável a chorar, e com um pé na rua a caminho da farmácia para comprar o suplemento. Decidam com coragem, liberdade e amor.

"Dar de mamar (...) É estarmos soltas, poderosas, famintas, como lobas, leoas, tigresas, cangurus ou gatas. Muito semelhantes às mamíferas de outras espécies em total apego pelas crias, ignorando o resto da comunidade, mas atentas, milimetricamente, às necessidades do recém nascido."

Gutman, Laura, "A Maternidade e o encontro com a própria sombra"

sábado, 5 de março de 2011

Cronologia duma refeição

Se ela já falasse seria assim:

Acordar: 30 segundos

Ela: - TENHO FOMEEE, VEM JÁ AQUI DAR-ME COMEEER, RÁPIDOOOO, TENHO TANTA FOMEEE!

Eu, a correr já de mamas de fora, pego nela e ponho-a a mamar.

5 segundos depois:

ela: ENTÃÃO, ISTO ESTÁ ESTRAGAAAADO, NÃO TEM NADAaaa... ah, glup glup, glup, que boommm, glup, glup...

cinco minutos depois:

ela: GLUP... cof cof... glup... cof

Levanto-a antes que fique roxa e sem ar:

ela: - AAAAH, cof cof cof... AAAAH, ESTÁS A MATAR-ME À FOMEEE, SOCORROOOO, TENHO QUE COMEEEER, BUÁÁÁÁ

*arroto sonoro
- QUE MERDA AZEDA É ESTA NA MINHA BOCAAAAA??... AAARRRG, NOJOOOO


 De novo a mamar, três minutos depois:

zzzzzzzzzz

quarta-feira, 2 de março de 2011

Dois meses de Mãe:

é dar o melhor e mesmo assim acontecer merda;

é chegar ao limite uma e outra vez e ficar aquém do necessário;

é perder-se de amores e ternura em níveis quase insuportáveis à vista daquele sorriso baboso e desdentado.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Para fazer o Cartão de Cidadão

Exigir uma foto acordado, sem chorar, sem rir, sem chucha e a olhar diretamente para a câmara a um bebé de dois meses é provavelmente o acto mais ridículo a que já assisti.
E útil que vai ser esta foto daqui a um tempo com os bebés sempre a mudarem.
Cabrão do Sócrates.
Ah, é assim em toda a UE?
Cabrão do Durão Barroso.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Almoçar com um bebé de sete semanas ao colo pode dar várias coisas giras de preferência todas em simultâneo:

- molhanga e/ou migalhas na cabeça, pescoço e interior dos ouvidos do bebé, qualquer dos dois, preferencialmente quentes para ser com emoção;

- o meu favorito: bolçado dentro do prato. A menos que se esteja a comer bifinhos com natas, é coisa para estragar o apetite, até o meu que tem sido de javali nos últimos tempos.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Seis semanas depois

Descubro que:

a miúda gosta mesmo é de dormir de barriga para baixo;

tem calor.

Teve a desgraçada que gritar durante mais de um mês para eu perceber. 

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O cúmulo da reciclagem

É a Di  a engolir o bolsado. Sempre.

adenda: escreve-se bolçado.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Posso ainda não saber muito sobre a minha filha, mas já sei a religião: protestante.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Private Practice

Sou eu a única a reparar no delicioso requinte de malvadez que é a possibilidade de ter uns lençóis em seda cor de chocolate com um namorado a condizer? A Addison pode.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Mas com amor

Vão comprar leite e abram o pacote. Deixem-no três dias fora do frigorífico.
Agora arranjem um gato.
Pisem o gato durante cinco ou dez minutos de duas em duas horas o dia todo, noite incluída. Não, gravar o som e reproduzir não dá, porque há que ver a criaturinha contorcer-se de dor.
Já está? Agora pequem nesse leite azedo e esfreguem-se todos nele sem dó nem piedade e logo após o banho.
Muito bem, aí têm uma ínfima amostra da minha vidinha e do meu odor corporal nas últimas três semanas.
Mas com amor.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O Dia D

Foi logo a seguir, dia 19. Descobri, entre muita coisa, que mesmo com contracções de dois em dois minutos, no interregno, arranjo ânimo para uma boa pegazinha de caras. Desta feita calhou à anestesista. Uma espanhola armada em gira a dizer que eu tinha cinco minutos para decidir se queria ou não epidural. Tão gira. Os cinco minutos dela duraram cinco horas. Porque sou uma gaja que pelos vistos dilata depressinha. Uma mãos largas e de resto também.
E depois as pessoas, as pessoas a visitar-me, as pessoas em cima das minhas mamas a querer ver se a bebé mamava bem, as pessoas e os palpites, as pessoas e a curiosidade, as pessoas a telefonar... O excesso de pessoas. Que continua porque é Natal, porque é novidade, porque sim.

De repente este blogue não me faz grande sentido como nada da minha vida até aqui. Está deslocado, é velho. Já não sinto ausências, sinto a melhor e mais enriquecedora presença que se pode imaginar. Na maternidade acordei de cinco em cinco minutos com saudades da minha D. Agora a 3D.
Dói-me o corpo se fico longe dela,
por isso vou voltar.

Até um dia destes.
Ou não.

sábado, 18 de dezembro de 2010

40 Semanas

Agora que penso nisso, nem vejo qual é a surpresa.
É a minha filha que vai nascer, não é?
Dia previsto?
Tão cómicos que nós somos...

acerca da menina