terça-feira, 16 de setembro de 2014

Vou publicar hoje este rascunho.

Não tenho tido pachorra/coragem/discernimento para escrever. Confrontar-me com a minha própria verdade. Não me tem apetecido. Sinto-me até no direito porque este blogue é feito de ausências das quais, a minha, para já.
Se escrevesse seria sempre sobre o mesmo. A saudade. Ser mãe trouxe-me este monstro que me devora sempre. Sempre. Sempre.

(Escrevi-o algures enquanto trabalhei, podia ter sido no início ou mesmo antes de ficar em casa de novo. O sentimento permanece)

O primeiro dia de escola

A minha bebé está a crescer. Ontem foi o primeiro dia de escola. A minha companheira durante os últimos três anos e nove meses vai começar a passar metade do seu dia longe de mim, rodeada de pessoas que não conheço a fazer coisas novas e a aprender. Vou deixar de ter a minha pequena melhor amiga atrás de mim para tudo: às compras, a limpar a casa, a ver televisão.
Nunca me vou esquecer dos olhinhos dela muito abertos, da vozinha a dizer-me que estava com medo : " e se eu me magoar, mamã?"; " não te esqueces de me vir buscar?" As dúvidas e aqueles olhinhos a dilacerarem-me o coração. Mas, valente, lá foi ela pendurar a mochila e sentar-se a observar tudo.
E eu a chorar o dia todo. Cheia de saudades. A tentar aprender com ela também a separar-me.
A minha bebé deixou de ser exclusivamente assunto meu. Há alguém que a vai ensinar, influenciar, conhecer de outra forma.
Sim, fomos buscá-la à hora de almoço, eu e o pai. Sim, é uma das poucas. Irei sempre que puder: gosto de lhe proporcionar este "break" a meio do dia e de me dedicar a fazer-lhe o almocinho.
Chegou a casa feliz, cheia de novidades, lembrava-se da história que lhe contaram na parte da tarde. O meu coração descansou, respirei de alívio. Se ela está feliz, eu também estou.

domingo, 27 de julho de 2014

Isto de dar à luz

Com a primeira filha descobri essa coisa do amor incondicional. Do medo. Da possibilidade de fazer merda em várias dimensões... Da culpa.
Com a segunda filha descubro que podia passar a vida inteira a produzir seres humanos. O prazer de ter a casa cheia de gritos e risos que saíram de dentro de nós é imenso. Apesar do caos.
Anseio por ver nascer também a amizade entre estas duas irmãs. Este será a minha herança para elas, espero. A amizade mais cúmplice e genuína que conheço.

As partidas

A minha irmã é doze anos mais nova que eu. Parece que a estou a ver, pequenina, a chorar à janela ao colo da minha mãe porque eu ia sair. E eu, com o coração aos pedaços a fazer-me de forte e a pensar: tem de ser ela tem que se habituar.
Hoje, melhor, no dia 23 deste mês, foi ela que partiu, rumo a Berlim. Pela segunda vez. E esta coisa das partidas não se torna mais fácil, descubro finalmente. Não nos habituamos também. Dói sempre. Porque à segunda sabemos já o que iremos sentir, o que iremos perder, o quanto magoa a saudade. O skype ajuda, mas não se dão abraços, não se sente o toque e o calor da pele. Aqueles dias de férias nunca são suficientes, sabem sempre a pouco e passam a correr. Não dão para nada.
A minha irmã... Foi sempre a alegria da casa.
Volta rápido que precisamos de ti.

terça-feira, 5 de março de 2013

O nome completo

A minha filha diz que se chama:
Diana Minina Duama Diabis

Tudo bem.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Conversas de avião II

Passageira gorda de nacionalidade brasileira: - esta companhia tem algum lugar com mais espaço para pessoas obesas?
Hospedeira: temos uns lugares ótimos, cheios de espaço e super confortáveis em classe executiva.
Passageira gorda de nacionalidade brasileira sem querer dar parte fraca: - sei... E aqui em económica tem lugares especiais para que esses passageiros não fiquem apertados e incômodos?
Hospedeira: - tem, são estes mesmo. Para ficar com mais espaço basta comprar dois.

Conversas de avião I

Passageiro de nacionalidade brasileira: - tem coca zero?
Hospedeira: - não, desculpe mas acabou. Só normal.
Passageiro de nacionalidade brasileira repentinamente irritado: - 'tá e eu sou diabético, como é que eu faço?
Hospedeira: - pode beber água se quiser.
Passageiro de nacionalidade brasleira irritado e com beicinho: - me dá uma coca normal.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Conversas aos dois anos III

- "mãe, gelato moã à paia?"
- "não, na nossa praia não há gelado de morango, a mãe leva frutinha. "
- "putinha não, mãe."

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Conversas aos dois anos II

Fui ao banco depositar dinheiro, uma exigência para alguns vistos para os EUA
Simpático, o senhor ao balcão pergunta-lhe:
E tu? Também vais passear? Andar de avião?
Ela, indignada: não, a diana é muto bebézita! E o bião é muta porco...
Por esta sou culpada, digo-lhe que não pode ainda trabalhar no avião porque ainda é muito pequena e, sempre que chego de viagem, enfio-me na banheira explicando que o avião estava sujo...
Nada disto expliquei ao homem porque tinha toda a minha cara escarlate (couro cabeludo incluído) sorri apenas e saí de lá a correr.

Conversas aos dois anos I

Estávamos no barco, depois de um gelado em Belém, a caminho de casa. Um senhor idoso senta-se ao nosso lado.
Ela: mãe... Este quem é? - com o dedinho esticado praticamente dentro olho do homem
Eu altamente envergonhada e na esperança do senhor lhe acalmar a curiosidade com uma graça qualquer: é um senhor, vai para casa também.
O senhor continuou mudo e a olhar para os sapatos.
Ela: olá! - inclinada para baixo a espreitar descaradamente para ele.
A esta altura já estou morta de riso, há várias cabeças voltadas na nossa direcção até porque os decibéis que a voz desta criança atinge não costumam deixar ninguém indiferente, excepto quem quer mesmo ser deixado em paz. Era o caso do desgraçado se se sentou ao pé de nós.
Intrigada, pergunta-me: este não fala?

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Um ano

baby D, by mom
Faz dia 19.
Em (menos de) um ano aquele pequeno ser duplicou o seu tamanho, triplicou o peso, aprendeu a controlar o corpo passo a passo. Primeiro as mãos para agarrar objectos, as costas e o equilíbrio para aos cinco meses se manter sentada, aos oito começar a gatinhar e, desde o passado domingo, começar a andar.
Sabe onde estão os brinquedos favoritos, sabe pedir música no computador e no ipod.
Sabe dançar.
Depois de seis meses só a mamar aprendeu a comer à colher, a mastigar mesmo sem dentes e já usa o garfo.
Teve de melhorar a comunicação, até porque eu sou péssima em reconhecer e distinguir choros e, na dúvida é logo mama na boca. Do choro passou a apontar, a usar as nossas mãos, a vocalizar sons.
E isto é só uma amostra do que um bebé de (quase) um ano evolui. É normal, é o padrão, tudo bem. Mas vocês adultos que passam a vida preocupados a perguntar se já anda, se já fala, se já tirou as fraldas, se já deixou de mamar, se já dorme a noite toda, se já tem todos os dentes, se caga todos os dias, se já..., se ainda... respirem.
E pensem: quanto é que eu evoluí e o que é que eu fiz de novo neste ano que passou?
Uma de duas coisas irá acontecer:
- foi tanta coisa que vão estar ocupados durante um tempo muito contentes com vós mesmos e largam os bebés da mão.
- reconhecem que, ao pé dos bebés, vocês são muito muito fraquinhos. E, no máximo, mudaram de penteado ou têm um emprego novo.
Ainda bem que não há padrões para adultos, não é? Se houvesse mandávamo-los à merda e fazíamos tudo às avessas só para contrariar.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Diálogos à beira do Grito com a minha mãe - I

São conversas que, pela insistência de ambas as partes em ideias opostas, ameaçam descambar numa gritaria, a menos que uma das partes desista.
Ultimamente referem-se à minha filha e portanto quem manda sou eu. O simples facto de ainda dialogar sobre isso é algo que até a mim me surpreende.

minha mãe: - Acho que devias comprar os andantes da Chicco, para a menina começar a andar.
(O tratamento por menina é algo que, desde logo, me faz descer da testa o último pingo de paciência)
eu: - Não, mãe, acho que ela anda melhor descalça. Já te disse.
mm: - Mas o pé precisa dum apoio.
eu: - Se precisasse nascíamos com ele. O pé precisa de estar à vontade, para se desenvolver.  E é muito mais confortável. Os sapatos, quando muito, protegem do frio, do piso e assim. Logo compro sapatos quando ela andar a pé na rua.
mm: - a menina sempre descalça...
eu -...
mm: - eu compro-lhos...
eu: - p-r-e-f-i-r-o 
        q-u-e 
        a-n-d-e
        d-e-s-c-a-l-ç-a
mm: ...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Não afectados pelo clima

Os brasileiros só têm um modo: o modo carnaval.
Um aniversário é um carnaval, ir ao cinema é um carnaval, andar de avião é um carnaval. Mas no Natal eles decidiram que não dava para ser carnaval e então rodeiam-se de pinheiros artificiais, neve a fingir, gelo a fingir numa fácil e bonita alusão ao pólo norte, mas no verão e com quarenta graus à sombra. Isto com a mesma antecipação histérica e comercial do resto do mundo. 

Fico contente porque é quase tão ridículo como as nossas dançarinas de samba escanzeladas e roxas do frio aos pulos em cima de camiões de fruta numa versão portuguesa do trio eléctrico: frio, triste e descabido.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Di

Eu também não quero vir nem ficar longe de ti. Se tu ficas aos gritos quando me vês caminhar para a porta, eu também quero gritar, largar as malas e abraçar-te. Abraçar-te muito, dizer-te segredinhos parvos e ficar assim até à noite, durante a noite e até de manhã. Para sempre.
Sentir o calor do teu pescocinho, o teu hálito de bebé e de mamar, os dedinhos a enrolarem-se no meu cabelo. Isto é sempre bom, nunca é suficiente, apetece sempre mais.
Dói muito deixar-te.
Mas acredito também que te deixo com amor à tua volta, que tenho que vir e garantir-te o melhor futuro que eu puder. É um preço muito alto? É. Demasiado? Espero que não.

Amo-te mais do que algum dia pensei ser possível.

acerca da menina