- Mãe a Vitória não quer ser minha amiga... Temos que a convidar para ir a minha casa, para ela aprender.
- Para ela aprender? Como assim? Convidamo-la e pomo-la de castigo?
- Nãããoo... Para ela aprender a ser minha amiga!
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Um ano de vida no campo
Gosto de ver o amanhecer. O sol começa a iluminar os campos lá no fundo e depois vem espalhando- se até às nossas janelas viradas a nascente. Adoro o pôr do sol cor-de-rosa espelhado no pequeno lago artificial que me acompanha muito enquanto amamento a Teresa sentada na cama do meu quarto.
Foi um ano de mudanças: mudar de cidade, mais uma filha, Diana na escola. Cão, gato, horta. A minha irmã longe de novo.
Temos um baloiço no jardim e a minha filha mais velha sabe que as lagartas gostam de comer couves, que as lagartas dos pinheiros são perigosas e que os pirilampos têm uma luzinha na barriga.
Detestamos formigas e o Diogo tem uma nova obcessão: bater com o cabo da vassoura no tecto do quarto da Diana para afugentar um rato qualquer que lá vive.
Almoçamos na esplanada e fazemos piqueniques, tudo na nossa casa. Podemos gritar e andar despidos ao ar livre porque estamos longe dos vizinhos e dos veraneantes.
A chuva e o vento foram a nossa companhia durante a maior parte do tempo, afinal estamos na "terra onde o Inverno passa as férias de Verão", contaram-me entretanto. Nem sempre é facil gostar disto, para mim que venho do sol, da praia a conco minutos, da minha total independência... Foi um ano de grandes mudanças.
Foi um ano de mudanças: mudar de cidade, mais uma filha, Diana na escola. Cão, gato, horta. A minha irmã longe de novo.
Temos um baloiço no jardim e a minha filha mais velha sabe que as lagartas gostam de comer couves, que as lagartas dos pinheiros são perigosas e que os pirilampos têm uma luzinha na barriga.
Detestamos formigas e o Diogo tem uma nova obcessão: bater com o cabo da vassoura no tecto do quarto da Diana para afugentar um rato qualquer que lá vive.
Almoçamos na esplanada e fazemos piqueniques, tudo na nossa casa. Podemos gritar e andar despidos ao ar livre porque estamos longe dos vizinhos e dos veraneantes.
A chuva e o vento foram a nossa companhia durante a maior parte do tempo, afinal estamos na "terra onde o Inverno passa as férias de Verão", contaram-me entretanto. Nem sempre é facil gostar disto, para mim que venho do sol, da praia a conco minutos, da minha total independência... Foi um ano de grandes mudanças.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
O cliché
Nunca, até vir para Lisboa estudar, senti que vivia num lugar assim tão diferente, a margem sul. Quem vive do outro lado tem um monte de preconceitos e ideias disparatadas que nem sempre correspondem à verdade ou poderão, tão pouco, aplicar-se apenas à margem esquerda do rio Tejo. Ainda assim, vou permitir-me este porque tem mais graça assim:
Podes tirar a pessoa da margem sul, mas não tiras a margem sul da pessoa.
Ao segundo dia de escola a Diana chega a casa e descalça-se dizendo:
- tenho uma surpresa para ti.
- ai sim? O que é?
Tira a sandália e mostra-me um bocado de plasticina lá colado.
- olha, plasticina! Pisaste sem querer?
- não, tirei lá da sala e guardei aqui. Achei que podias precisar.
- ...
Podes tirar a pessoa da margem sul, mas não tiras a margem sul da pessoa.
Ao segundo dia de escola a Diana chega a casa e descalça-se dizendo:
- tenho uma surpresa para ti.
- ai sim? O que é?
Tira a sandália e mostra-me um bocado de plasticina lá colado.
- olha, plasticina! Pisaste sem querer?
- não, tirei lá da sala e guardei aqui. Achei que podias precisar.
- ...
Vou publicar hoje este rascunho.
Não tenho tido pachorra/coragem/discernimento para escrever. Confrontar-me com a minha própria verdade. Não me tem apetecido. Sinto-me até no direito porque este blogue é feito de ausências das quais, a minha, para já.
Se escrevesse seria sempre sobre o mesmo. A saudade. Ser mãe trouxe-me este monstro que me devora sempre. Sempre. Sempre.
(Escrevi-o algures enquanto trabalhei, podia ter sido no início ou mesmo antes de ficar em casa de novo. O sentimento permanece)
Se escrevesse seria sempre sobre o mesmo. A saudade. Ser mãe trouxe-me este monstro que me devora sempre. Sempre. Sempre.
(Escrevi-o algures enquanto trabalhei, podia ter sido no início ou mesmo antes de ficar em casa de novo. O sentimento permanece)
O primeiro dia de escola
A minha bebé está a crescer. Ontem foi o primeiro dia de escola. A minha companheira durante os últimos três anos e nove meses vai começar a passar metade do seu dia longe de mim, rodeada de pessoas que não conheço a fazer coisas novas e a aprender. Vou deixar de ter a minha pequena melhor amiga atrás de mim para tudo: às compras, a limpar a casa, a ver televisão.
Nunca me vou esquecer dos olhinhos dela muito abertos, da vozinha a dizer-me que estava com medo : " e se eu me magoar, mamã?"; " não te esqueces de me vir buscar?" As dúvidas e aqueles olhinhos a dilacerarem-me o coração. Mas, valente, lá foi ela pendurar a mochila e sentar-se a observar tudo.
E eu a chorar o dia todo. Cheia de saudades. A tentar aprender com ela também a separar-me.
A minha bebé deixou de ser exclusivamente assunto meu. Há alguém que a vai ensinar, influenciar, conhecer de outra forma.
Sim, fomos buscá-la à hora de almoço, eu e o pai. Sim, é uma das poucas. Irei sempre que puder: gosto de lhe proporcionar este "break" a meio do dia e de me dedicar a fazer-lhe o almocinho.
Chegou a casa feliz, cheia de novidades, lembrava-se da história que lhe contaram na parte da tarde. O meu coração descansou, respirei de alívio. Se ela está feliz, eu também estou.
Nunca me vou esquecer dos olhinhos dela muito abertos, da vozinha a dizer-me que estava com medo : " e se eu me magoar, mamã?"; " não te esqueces de me vir buscar?" As dúvidas e aqueles olhinhos a dilacerarem-me o coração. Mas, valente, lá foi ela pendurar a mochila e sentar-se a observar tudo.
E eu a chorar o dia todo. Cheia de saudades. A tentar aprender com ela também a separar-me.
A minha bebé deixou de ser exclusivamente assunto meu. Há alguém que a vai ensinar, influenciar, conhecer de outra forma.
Sim, fomos buscá-la à hora de almoço, eu e o pai. Sim, é uma das poucas. Irei sempre que puder: gosto de lhe proporcionar este "break" a meio do dia e de me dedicar a fazer-lhe o almocinho.
Chegou a casa feliz, cheia de novidades, lembrava-se da história que lhe contaram na parte da tarde. O meu coração descansou, respirei de alívio. Se ela está feliz, eu também estou.
domingo, 27 de julho de 2014
Isto de dar à luz
Com a primeira filha descobri essa coisa do amor incondicional. Do medo. Da possibilidade de fazer merda em várias dimensões... Da culpa.
Com a segunda filha descubro que podia passar a vida inteira a produzir seres humanos. O prazer de ter a casa cheia de gritos e risos que saíram de dentro de nós é imenso. Apesar do caos.
Anseio por ver nascer também a amizade entre estas duas irmãs. Este será a minha herança para elas, espero. A amizade mais cúmplice e genuína que conheço.
Com a segunda filha descubro que podia passar a vida inteira a produzir seres humanos. O prazer de ter a casa cheia de gritos e risos que saíram de dentro de nós é imenso. Apesar do caos.
Anseio por ver nascer também a amizade entre estas duas irmãs. Este será a minha herança para elas, espero. A amizade mais cúmplice e genuína que conheço.
As partidas
A minha irmã é doze anos mais nova que eu. Parece que a estou a ver, pequenina, a chorar à janela ao colo da minha mãe porque eu ia sair. E eu, com o coração aos pedaços a fazer-me de forte e a pensar: tem de ser ela tem que se habituar.
Hoje, melhor, no dia 23 deste mês, foi ela que partiu, rumo a Berlim. Pela segunda vez. E esta coisa das partidas não se torna mais fácil, descubro finalmente. Não nos habituamos também. Dói sempre. Porque à segunda sabemos já o que iremos sentir, o que iremos perder, o quanto magoa a saudade. O skype ajuda, mas não se dão abraços, não se sente o toque e o calor da pele. Aqueles dias de férias nunca são suficientes, sabem sempre a pouco e passam a correr. Não dão para nada.
A minha irmã... Foi sempre a alegria da casa.
Volta rápido que precisamos de ti.
Hoje, melhor, no dia 23 deste mês, foi ela que partiu, rumo a Berlim. Pela segunda vez. E esta coisa das partidas não se torna mais fácil, descubro finalmente. Não nos habituamos também. Dói sempre. Porque à segunda sabemos já o que iremos sentir, o que iremos perder, o quanto magoa a saudade. O skype ajuda, mas não se dão abraços, não se sente o toque e o calor da pele. Aqueles dias de férias nunca são suficientes, sabem sempre a pouco e passam a correr. Não dão para nada.
A minha irmã... Foi sempre a alegria da casa.
Volta rápido que precisamos de ti.
terça-feira, 5 de março de 2013
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Conversas de avião II
Passageira gorda de nacionalidade brasileira: - esta companhia tem algum lugar com mais espaço para pessoas obesas?
Hospedeira: temos uns lugares ótimos, cheios de espaço e super confortáveis em classe executiva.
Passageira gorda de nacionalidade brasileira sem querer dar parte fraca: - sei... E aqui em económica tem lugares especiais para que esses passageiros não fiquem apertados e incômodos?
Hospedeira: - tem, são estes mesmo. Para ficar com mais espaço basta comprar dois.
Hospedeira: temos uns lugares ótimos, cheios de espaço e super confortáveis em classe executiva.
Passageira gorda de nacionalidade brasileira sem querer dar parte fraca: - sei... E aqui em económica tem lugares especiais para que esses passageiros não fiquem apertados e incômodos?
Hospedeira: - tem, são estes mesmo. Para ficar com mais espaço basta comprar dois.
Conversas de avião I
Passageiro de nacionalidade brasileira: - tem coca zero?
Hospedeira: - não, desculpe mas acabou. Só normal.
Passageiro de nacionalidade brasileira repentinamente irritado: - 'tá e eu sou diabético, como é que eu faço?
Hospedeira: - pode beber água se quiser.
Passageiro de nacionalidade brasleira irritado e com beicinho: - me dá uma coca normal.
Hospedeira: - não, desculpe mas acabou. Só normal.
Passageiro de nacionalidade brasileira repentinamente irritado: - 'tá e eu sou diabético, como é que eu faço?
Hospedeira: - pode beber água se quiser.
Passageiro de nacionalidade brasleira irritado e com beicinho: - me dá uma coca normal.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Conversas aos dois anos III
- "mãe, gelato moã à paia?"
- "não, na nossa praia não há gelado de morango, a mãe leva frutinha. "
- "putinha não, mãe."
- "não, na nossa praia não há gelado de morango, a mãe leva frutinha. "
- "putinha não, mãe."
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Conversas aos dois anos II
Fui ao banco depositar dinheiro, uma exigência para alguns vistos para os EUA
Simpático, o senhor ao balcão pergunta-lhe:
E tu? Também vais passear? Andar de avião?
Ela, indignada: não, a diana é muto bebézita! E o bião é muta porco...
Por esta sou culpada, digo-lhe que não pode ainda trabalhar no avião porque ainda é muito pequena e, sempre que chego de viagem, enfio-me na banheira explicando que o avião estava sujo...
Nada disto expliquei ao homem porque tinha toda a minha cara escarlate (couro cabeludo incluído) sorri apenas e saí de lá a correr.
Simpático, o senhor ao balcão pergunta-lhe:
E tu? Também vais passear? Andar de avião?
Ela, indignada: não, a diana é muto bebézita! E o bião é muta porco...
Por esta sou culpada, digo-lhe que não pode ainda trabalhar no avião porque ainda é muito pequena e, sempre que chego de viagem, enfio-me na banheira explicando que o avião estava sujo...
Nada disto expliquei ao homem porque tinha toda a minha cara escarlate (couro cabeludo incluído) sorri apenas e saí de lá a correr.
Conversas aos dois anos I
Estávamos no barco, depois de um gelado em Belém, a caminho de casa. Um senhor idoso senta-se ao nosso lado.
Ela: mãe... Este quem é? - com o dedinho esticado praticamente dentro olho do homem
Eu altamente envergonhada e na esperança do senhor lhe acalmar a curiosidade com uma graça qualquer: é um senhor, vai para casa também.
O senhor continuou mudo e a olhar para os sapatos.
Ela: olá! - inclinada para baixo a espreitar descaradamente para ele.
A esta altura já estou morta de riso, há várias cabeças voltadas na nossa direcção até porque os decibéis que a voz desta criança atinge não costumam deixar ninguém indiferente, excepto quem quer mesmo ser deixado em paz. Era o caso do desgraçado se se sentou ao pé de nós.
Intrigada, pergunta-me: este não fala?
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Um ano
| baby D, by mom |
Em (menos de) um ano aquele pequeno ser duplicou o seu tamanho, triplicou o peso, aprendeu a controlar o corpo passo a passo. Primeiro as mãos para agarrar objectos, as costas e o equilíbrio para aos cinco meses se manter sentada, aos oito começar a gatinhar e, desde o passado domingo, começar a andar.
Sabe onde estão os brinquedos favoritos, sabe pedir música no computador e no ipod.
Sabe dançar.
Depois de seis meses só a mamar aprendeu a comer à colher, a mastigar mesmo sem dentes e já usa o garfo.
Teve de melhorar a comunicação, até porque eu sou péssima em reconhecer e distinguir choros e, na dúvida é logo mama na boca. Do choro passou a apontar, a usar as nossas mãos, a vocalizar sons.
E isto é só uma amostra do que um bebé de (quase) um ano evolui. É normal, é o padrão, tudo bem. Mas vocês adultos que passam a vida preocupados a perguntar se já anda, se já fala, se já tirou as fraldas, se já deixou de mamar, se já dorme a noite toda, se já tem todos os dentes, se caga todos os dias, se já..., se ainda... respirem.
E pensem: quanto é que eu evoluí e o que é que eu fiz de novo neste ano que passou?
Uma de duas coisas irá acontecer:
- foi tanta coisa que vão estar ocupados durante um tempo muito contentes com vós mesmos e largam os bebés da mão.
- reconhecem que, ao pé dos bebés, vocês são muito muito fraquinhos. E, no máximo, mudaram de penteado ou têm um emprego novo.
Ainda bem que não há padrões para adultos, não é? Se houvesse mandávamo-los à merda e fazíamos tudo às avessas só para contrariar.
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