De bom grado lhe passava a ele as mamas por um dia. E com elas a responsabilidade, o elo, o vínculo, o peso, a fome, a sede, a roupa manchada, o encaroçar. Por um dia, de bom grado.
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
sábado, 11 de outubro de 2014
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
A Diana na Escola:
- Mãe a Vitória não quer ser minha amiga... Temos que a convidar para ir a minha casa, para ela aprender.
- Para ela aprender? Como assim? Convidamo-la e pomo-la de castigo?
- Nãããoo... Para ela aprender a ser minha amiga!
- Para ela aprender? Como assim? Convidamo-la e pomo-la de castigo?
- Nãããoo... Para ela aprender a ser minha amiga!
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Um ano de vida no campo
Gosto de ver o amanhecer. O sol começa a iluminar os campos lá no fundo e depois vem espalhando- se até às nossas janelas viradas a nascente. Adoro o pôr do sol cor-de-rosa espelhado no pequeno lago artificial que me acompanha muito enquanto amamento a Teresa sentada na cama do meu quarto.
Foi um ano de mudanças: mudar de cidade, mais uma filha, Diana na escola. Cão, gato, horta. A minha irmã longe de novo.
Temos um baloiço no jardim e a minha filha mais velha sabe que as lagartas gostam de comer couves, que as lagartas dos pinheiros são perigosas e que os pirilampos têm uma luzinha na barriga.
Detestamos formigas e o Diogo tem uma nova obcessão: bater com o cabo da vassoura no tecto do quarto da Diana para afugentar um rato qualquer que lá vive.
Almoçamos na esplanada e fazemos piqueniques, tudo na nossa casa. Podemos gritar e andar despidos ao ar livre porque estamos longe dos vizinhos e dos veraneantes.
A chuva e o vento foram a nossa companhia durante a maior parte do tempo, afinal estamos na "terra onde o Inverno passa as férias de Verão", contaram-me entretanto. Nem sempre é facil gostar disto, para mim que venho do sol, da praia a conco minutos, da minha total independência... Foi um ano de grandes mudanças.
Foi um ano de mudanças: mudar de cidade, mais uma filha, Diana na escola. Cão, gato, horta. A minha irmã longe de novo.
Temos um baloiço no jardim e a minha filha mais velha sabe que as lagartas gostam de comer couves, que as lagartas dos pinheiros são perigosas e que os pirilampos têm uma luzinha na barriga.
Detestamos formigas e o Diogo tem uma nova obcessão: bater com o cabo da vassoura no tecto do quarto da Diana para afugentar um rato qualquer que lá vive.
Almoçamos na esplanada e fazemos piqueniques, tudo na nossa casa. Podemos gritar e andar despidos ao ar livre porque estamos longe dos vizinhos e dos veraneantes.
A chuva e o vento foram a nossa companhia durante a maior parte do tempo, afinal estamos na "terra onde o Inverno passa as férias de Verão", contaram-me entretanto. Nem sempre é facil gostar disto, para mim que venho do sol, da praia a conco minutos, da minha total independência... Foi um ano de grandes mudanças.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
O cliché
Nunca, até vir para Lisboa estudar, senti que vivia num lugar assim tão diferente, a margem sul. Quem vive do outro lado tem um monte de preconceitos e ideias disparatadas que nem sempre correspondem à verdade ou poderão, tão pouco, aplicar-se apenas à margem esquerda do rio Tejo. Ainda assim, vou permitir-me este porque tem mais graça assim:
Podes tirar a pessoa da margem sul, mas não tiras a margem sul da pessoa.
Ao segundo dia de escola a Diana chega a casa e descalça-se dizendo:
- tenho uma surpresa para ti.
- ai sim? O que é?
Tira a sandália e mostra-me um bocado de plasticina lá colado.
- olha, plasticina! Pisaste sem querer?
- não, tirei lá da sala e guardei aqui. Achei que podias precisar.
- ...
Podes tirar a pessoa da margem sul, mas não tiras a margem sul da pessoa.
Ao segundo dia de escola a Diana chega a casa e descalça-se dizendo:
- tenho uma surpresa para ti.
- ai sim? O que é?
Tira a sandália e mostra-me um bocado de plasticina lá colado.
- olha, plasticina! Pisaste sem querer?
- não, tirei lá da sala e guardei aqui. Achei que podias precisar.
- ...
Vou publicar hoje este rascunho.
Não tenho tido pachorra/coragem/discernimento para escrever. Confrontar-me com a minha própria verdade. Não me tem apetecido. Sinto-me até no direito porque este blogue é feito de ausências das quais, a minha, para já.
Se escrevesse seria sempre sobre o mesmo. A saudade. Ser mãe trouxe-me este monstro que me devora sempre. Sempre. Sempre.
(Escrevi-o algures enquanto trabalhei, podia ter sido no início ou mesmo antes de ficar em casa de novo. O sentimento permanece)
Se escrevesse seria sempre sobre o mesmo. A saudade. Ser mãe trouxe-me este monstro que me devora sempre. Sempre. Sempre.
(Escrevi-o algures enquanto trabalhei, podia ter sido no início ou mesmo antes de ficar em casa de novo. O sentimento permanece)
O primeiro dia de escola
A minha bebé está a crescer. Ontem foi o primeiro dia de escola. A minha companheira durante os últimos três anos e nove meses vai começar a passar metade do seu dia longe de mim, rodeada de pessoas que não conheço a fazer coisas novas e a aprender. Vou deixar de ter a minha pequena melhor amiga atrás de mim para tudo: às compras, a limpar a casa, a ver televisão.
Nunca me vou esquecer dos olhinhos dela muito abertos, da vozinha a dizer-me que estava com medo : " e se eu me magoar, mamã?"; " não te esqueces de me vir buscar?" As dúvidas e aqueles olhinhos a dilacerarem-me o coração. Mas, valente, lá foi ela pendurar a mochila e sentar-se a observar tudo.
E eu a chorar o dia todo. Cheia de saudades. A tentar aprender com ela também a separar-me.
A minha bebé deixou de ser exclusivamente assunto meu. Há alguém que a vai ensinar, influenciar, conhecer de outra forma.
Sim, fomos buscá-la à hora de almoço, eu e o pai. Sim, é uma das poucas. Irei sempre que puder: gosto de lhe proporcionar este "break" a meio do dia e de me dedicar a fazer-lhe o almocinho.
Chegou a casa feliz, cheia de novidades, lembrava-se da história que lhe contaram na parte da tarde. O meu coração descansou, respirei de alívio. Se ela está feliz, eu também estou.
Nunca me vou esquecer dos olhinhos dela muito abertos, da vozinha a dizer-me que estava com medo : " e se eu me magoar, mamã?"; " não te esqueces de me vir buscar?" As dúvidas e aqueles olhinhos a dilacerarem-me o coração. Mas, valente, lá foi ela pendurar a mochila e sentar-se a observar tudo.
E eu a chorar o dia todo. Cheia de saudades. A tentar aprender com ela também a separar-me.
A minha bebé deixou de ser exclusivamente assunto meu. Há alguém que a vai ensinar, influenciar, conhecer de outra forma.
Sim, fomos buscá-la à hora de almoço, eu e o pai. Sim, é uma das poucas. Irei sempre que puder: gosto de lhe proporcionar este "break" a meio do dia e de me dedicar a fazer-lhe o almocinho.
Chegou a casa feliz, cheia de novidades, lembrava-se da história que lhe contaram na parte da tarde. O meu coração descansou, respirei de alívio. Se ela está feliz, eu também estou.
domingo, 27 de julho de 2014
Isto de dar à luz
Com a primeira filha descobri essa coisa do amor incondicional. Do medo. Da possibilidade de fazer merda em várias dimensões... Da culpa.
Com a segunda filha descubro que podia passar a vida inteira a produzir seres humanos. O prazer de ter a casa cheia de gritos e risos que saíram de dentro de nós é imenso. Apesar do caos.
Anseio por ver nascer também a amizade entre estas duas irmãs. Este será a minha herança para elas, espero. A amizade mais cúmplice e genuína que conheço.
Com a segunda filha descubro que podia passar a vida inteira a produzir seres humanos. O prazer de ter a casa cheia de gritos e risos que saíram de dentro de nós é imenso. Apesar do caos.
Anseio por ver nascer também a amizade entre estas duas irmãs. Este será a minha herança para elas, espero. A amizade mais cúmplice e genuína que conheço.
As partidas
A minha irmã é doze anos mais nova que eu. Parece que a estou a ver, pequenina, a chorar à janela ao colo da minha mãe porque eu ia sair. E eu, com o coração aos pedaços a fazer-me de forte e a pensar: tem de ser ela tem que se habituar.
Hoje, melhor, no dia 23 deste mês, foi ela que partiu, rumo a Berlim. Pela segunda vez. E esta coisa das partidas não se torna mais fácil, descubro finalmente. Não nos habituamos também. Dói sempre. Porque à segunda sabemos já o que iremos sentir, o que iremos perder, o quanto magoa a saudade. O skype ajuda, mas não se dão abraços, não se sente o toque e o calor da pele. Aqueles dias de férias nunca são suficientes, sabem sempre a pouco e passam a correr. Não dão para nada.
A minha irmã... Foi sempre a alegria da casa.
Volta rápido que precisamos de ti.
Hoje, melhor, no dia 23 deste mês, foi ela que partiu, rumo a Berlim. Pela segunda vez. E esta coisa das partidas não se torna mais fácil, descubro finalmente. Não nos habituamos também. Dói sempre. Porque à segunda sabemos já o que iremos sentir, o que iremos perder, o quanto magoa a saudade. O skype ajuda, mas não se dão abraços, não se sente o toque e o calor da pele. Aqueles dias de férias nunca são suficientes, sabem sempre a pouco e passam a correr. Não dão para nada.
A minha irmã... Foi sempre a alegria da casa.
Volta rápido que precisamos de ti.
terça-feira, 5 de março de 2013
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Conversas de avião II
Passageira gorda de nacionalidade brasileira: - esta companhia tem algum lugar com mais espaço para pessoas obesas?
Hospedeira: temos uns lugares ótimos, cheios de espaço e super confortáveis em classe executiva.
Passageira gorda de nacionalidade brasileira sem querer dar parte fraca: - sei... E aqui em económica tem lugares especiais para que esses passageiros não fiquem apertados e incômodos?
Hospedeira: - tem, são estes mesmo. Para ficar com mais espaço basta comprar dois.
Hospedeira: temos uns lugares ótimos, cheios de espaço e super confortáveis em classe executiva.
Passageira gorda de nacionalidade brasileira sem querer dar parte fraca: - sei... E aqui em económica tem lugares especiais para que esses passageiros não fiquem apertados e incômodos?
Hospedeira: - tem, são estes mesmo. Para ficar com mais espaço basta comprar dois.
Conversas de avião I
Passageiro de nacionalidade brasileira: - tem coca zero?
Hospedeira: - não, desculpe mas acabou. Só normal.
Passageiro de nacionalidade brasileira repentinamente irritado: - 'tá e eu sou diabético, como é que eu faço?
Hospedeira: - pode beber água se quiser.
Passageiro de nacionalidade brasleira irritado e com beicinho: - me dá uma coca normal.
Hospedeira: - não, desculpe mas acabou. Só normal.
Passageiro de nacionalidade brasileira repentinamente irritado: - 'tá e eu sou diabético, como é que eu faço?
Hospedeira: - pode beber água se quiser.
Passageiro de nacionalidade brasleira irritado e com beicinho: - me dá uma coca normal.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Conversas aos dois anos III
- "mãe, gelato moã à paia?"
- "não, na nossa praia não há gelado de morango, a mãe leva frutinha. "
- "putinha não, mãe."
- "não, na nossa praia não há gelado de morango, a mãe leva frutinha. "
- "putinha não, mãe."
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Conversas aos dois anos II
Fui ao banco depositar dinheiro, uma exigência para alguns vistos para os EUA
Simpático, o senhor ao balcão pergunta-lhe:
E tu? Também vais passear? Andar de avião?
Ela, indignada: não, a diana é muto bebézita! E o bião é muta porco...
Por esta sou culpada, digo-lhe que não pode ainda trabalhar no avião porque ainda é muito pequena e, sempre que chego de viagem, enfio-me na banheira explicando que o avião estava sujo...
Nada disto expliquei ao homem porque tinha toda a minha cara escarlate (couro cabeludo incluído) sorri apenas e saí de lá a correr.
Simpático, o senhor ao balcão pergunta-lhe:
E tu? Também vais passear? Andar de avião?
Ela, indignada: não, a diana é muto bebézita! E o bião é muta porco...
Por esta sou culpada, digo-lhe que não pode ainda trabalhar no avião porque ainda é muito pequena e, sempre que chego de viagem, enfio-me na banheira explicando que o avião estava sujo...
Nada disto expliquei ao homem porque tinha toda a minha cara escarlate (couro cabeludo incluído) sorri apenas e saí de lá a correr.
Conversas aos dois anos I
Estávamos no barco, depois de um gelado em Belém, a caminho de casa. Um senhor idoso senta-se ao nosso lado.
Ela: mãe... Este quem é? - com o dedinho esticado praticamente dentro olho do homem
Eu altamente envergonhada e na esperança do senhor lhe acalmar a curiosidade com uma graça qualquer: é um senhor, vai para casa também.
O senhor continuou mudo e a olhar para os sapatos.
Ela: olá! - inclinada para baixo a espreitar descaradamente para ele.
A esta altura já estou morta de riso, há várias cabeças voltadas na nossa direcção até porque os decibéis que a voz desta criança atinge não costumam deixar ninguém indiferente, excepto quem quer mesmo ser deixado em paz. Era o caso do desgraçado se se sentou ao pé de nós.
Intrigada, pergunta-me: este não fala?
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