sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Luz


Quando vinha a entar em casa mesmo há bocadinho tinha uma luz laranja a sair de baixo da porta. Era o por do sol a transbordar p'la casa e janelas dentro. O céu e os vários estados entram-me pela casa e pelo espírito dentro. Também assisto a trovoadas.
Eu adoro esta casa. Não deixo de sentir uma certa nostalgia em deixá-la. Foi amor à primeira vista, desde o momento em que cá entrei quis ficar. Demorou um ano este namoro e agora já cá estou quase há dois.
Tem aquele desleixo de primeira casa: poucos (um) móveis, o sofá mais barato que havia, a televisão do quarto em casa dos pais, a aparelhagem de som que era do meu pai há 300 anos. Algumas coisas trouxe para os sentir perto de mim, para não me sentir completamente fora deles, para me sentir em casa. E tem a minha cara: sempre com vestígios de praia, nomeadamente areia; livros espalhados e amontoados por todos os lados; papelinhos de tudo e de nada sempre em cima das coisas; o frigorífico, que é mínimo, só tem quatro constantes: cerveja, chocolate preto, leite e queijo, por esta ordem.
Vou lembrar-me sempre dela.

1 comentário:

Patrícia disse...

Sabes...nunca pensei que fosse mudar de opinião, mas...agora percebo que me tinha feito bem, passar um tempo sozinha. Como tu!
Aproveita...

acerca da menina